segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O que mata As Panteras

E com três ou quatro episódios exibidos a nova versão de As Panteras (Charlie’s Angels) não deve prosseguir. Foi o suficiente para me deixar (finalmente) curioso para assistir.

Não é raro de acontecer nos seriados norte-americanos, o que me deixou encafifado foi por sua origem. O 70’s é um dos programas mais famosos e queridos da TV, lançou estrelas, modas e costumes.

Como a versão 2011 não conseguiu o mesmo fôlego? Drew Barrymore, atriz e produtora dos dois longas recentes (e divertidos) também estava por trás desta empreitada.

Tentei um pouco não olhar com olhos de fã dos anjos originais. Afinal, claramente não foi feito para o mesmo público de antes.
Será que seriados que refazem outros de sucesso estarão todos fadados ao fracasso? Pode ser pela lógica de que cada argumento, por mais atualizado que seja, está restritamente ligado ao período histórico em que foi feito.

Grande coisa neste novo século três lindas garotas trabalharem, darem porrada em criminosos e ainda serem lindas. Do mesmo jeito que a nova Mulher Biônica também deu com os burros n’água.

Lembrando que o primeiro filme das Panteras foi bem de bilheteria e o segundo nem tanto assim. Eram bem parecidos, seguindo a mesma fórmula, o que mudou foi a expectativa da plateia que deixou de existir.

Remakes infinitos de tudo contam muito com isso. Publicidade grátis e a ansiedade do público em ver como aquilo ficou na atualidade, depois sobra muito pouco se não for realmente bom.

TV não é cinema mesmo, imagina o quão poderosos têm que ser os roteiros pra preservar a audiência semanal. Falando em roteiro, o do piloto pelo menos deixa muito a desejar.

Se o episódio é rico em locações, cenários, helicópteros, tiroteios e explosões, o texto é um rame rame que a cada cinco minutos descamba para o cliché. Vai explodir o carro quando um desavisado personagem entra e a gente sabe isso de antemão pelo ângulo da câmera e porque isso já foi feito e refeito trocentas vezes em histórias de ação.

Tecnicamente realista, rodado em tecnologia HD de encher os olhos, só que o mistério a ser resolvido era digno dos Faz de Conta mais ingênuos. Há também a edição confusa que nos faz ficar absolutamente perdidos, tirando a atenção da trama sempre.

Lição do tio Alfred Hitchcock em 1900 e lá vai fusquinha: Tem que entregar o jogo, se a plateia ficar confusa dificilmente depois a resgataremos ao que é essencial. Roteiristas pelo menos de Hollywood já deveriam estar carecas em saber disso.

Uma das coisas que também me fez querer ver agora que desandou foi pra checar se a culpa não estaria nas três protagonistas. Fã é um bicho ranzinza, talvez por isso elas não são as três personagens de antes, com novos nomes e tudo.

Coitadas! Muito longe do carisma das outras, pelo menos a loirinha é talentosa e a latina bonita se não repararmos muito em seus olhos meio um pra cá e outro pra lá.

Kelly, Jill e Sabrina tinham funções e personalidades bem definidas. Abby, Kate e Eve são só quaisquer bonitonas prontas a obedecer ao misterioso Charlie.

Estranho que o ajudante Bosley foi preservado. Mas... Convertido a um latino estereotipado, daqueles com excitação à flor da pele que no meio de uma missão tem tempo pra entrar na piscina com duas gatas!

Descansem em paz, Anjos!

Veja também:
O maior colecionador de As Panteras
Figurinhas As Panteras
Linha de tempo Charlie's Angels



2 comentários:

Rubens Rodrigues disse...

Eu gostei. Pena que já foi cancelada.

Hawaii Five-O é um sucesso, da CBS, acho. Nikita também deu certo, mas é da CW - aquele canal que (quase) ninguém assiste.

Eu gostava muito de Melrose Place, mas foi cancelada após uma dúzia de episódios. Baixei a primeira temporada original e tô gostando muito.

Miguel Andrade disse...

Rubens, não cheguei a ver nem o Melrose original. Além do piloto e alguns episódios sem querer.

Hawaii Five-O e Nikita quebram qualquer regra de que é impossível fazer remakes de seriados com sucesso. Nikita original era até pouco assistida no Warner Chanel 90's.

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