terça-feira, 25 de outubro de 2011

O primeiro brasileiro a pisar em Hollywood

Antes de Carmen Miranda (a mais brasileira das portuguesas), antes de Sônia Braga e muito antes de Bruno Campos ou Rodrigo Santoro... O carioca Raul Roulien conseguiu um contrato com um grande estúdio hollywoodiano no começo da década de 30, quando o cinema pronunciava suas primeiras sílabas.

Nascido Raul Pepe Acolti Gil em 1905, Raul Roulien vinha de uma destacada carreira como cantor na Argentina. A vaga para latin lover nos EUA estava aberta desde Rodolfo Valentino, sendo que Ramon Novarro não se deu tão bem nos filmes sonoros como nos mudos.

Galã de vozeirão conseguiu uma série de papeis como coadjuvante. Os mais lembrados são aqueles em que Ginger Rogers e Fred Astaire usavam seu sapateado para teimar com a força da gravidade como Voando Para o Rio (Flying Down to Rio , 1933 de Thornton Freeland).

Hoje um completo desconhecido no Brasil, cheguei até ele acidentalmente, ao ver a foto maior deste post, encontrada no meio de muitas outras com astros famosos. Intrigante. O que faz a bandeira brasileira ali?

O patrício é o da direita, batendo continência, claro. Foi batida durante as filmagens de Delicious (de David Butler) em 1931, seu segundo trabalho lá, para promover o novo astro latino.

Há algo de “Santos Dumont” na biografia dele. Americanos contam como supostamente caiu em desgraça, outros países (inclusive o verbete da Wikipédia em alemão, muito mais completo que em português) afirmam a história trágica como tendo realmente acontecido.

Sua segunda esposa, a atriz e bailarina Tosca Roulier foi atropelada e morta quando passeava na Sunset Boulevard em 1933. Ao volante um promissor jovem alcoolizado chamado John Houston.

O viúvo inconformado abriu processo judicial, atraindo a fúria de Walter Houston, pai do motorista, e ator e produtor muito influente naquela época. Houston contou com o apoio de Louis B. Mayer, todo poderoso chefão da MGM, o estúdio mais importante do período.

A investigação apurou a inocência do futuro oscarizado diretor no atropelamento. Em contrapartida, o primeiro ator brasileiro ficou, evidentemente, arranhado na alta roda.

De volta ao Brasil já na década de 40, dedicou-se ao teatro, cinema e posteriormente à TV. Foi em sua Companhia que Cacilda Becker viria a se destacar como uma das maiores atrizes do teatro nacional.

Raul Roulien passou seus últimos tempos esquecido, morando em São Paulo, onde faleceu no ano 2000. Debilitado com Mal de Alzheimer, até ele deixou os anos dourados de Hollywood para trás.

Veja também:
Assim são ex-estrelas brasileiras
Como uma lenda brasileira virou sucesso em Hollywood


[Ouvindo: Pale Moon (An Indian Love Song) – Tommy Dorsey]

9 comentários:

Lila disse...

Espere! John Houston ñ é o pai de Angelica Houston??!! Bafo essa história, Miguel!Não sabia da existencia de Raul Roulien e que triste foi seu fim.

Miguel Andrade disse...

Lila, sim. E o bambambam era o avô da Anjelica.

Não foi muito triste pq ele trabalhou bastante no Brasil, até ficar velhinho, velhinho.

Daniel Tavernaro disse...

Tanto aqui na postagem, como no IMDb, fala-se que ele nasceu em Buenos Aires. Na página da Wikipedia em alemão, fala-se que ele era natural do Rio.

Não entendi.... Parece que o texto do IMDb está errado, é isso? Fala-se que ele é brasileiro, mas "Raul Roulien, as he was billed in the U.S., was Raúl Pepe Acolti Gil in Buenos Aires, Argentina on October 8, 1905".

Será que nasceu aqui "por acidente", mas foi cirado e cresceu na Argemtina?

senão...não vale, rsrr

Miguel Andrade disse...

Daniel, ele era carioca, conforme esta no post. Antes de Hollywood era conhecido em Buenos Aires.

A bio do IMDB é a pior.

Luiz Alberto disse...

Caramba, que história maluca! Depois dizem que só no Brasil rico não vai pra cadeia.

Miguel Andrade disse...

Luiz, no mundo todo, né? No Brasil só é um pouco mais complicado.

Leticia disse...

Tô dizendo! Não só Miguel como vocês todos que se interessam pelo métier devem respirar fundo num fds chuvoso e ler o tijolão de Carmen. Tá tudo lá.

Se bem me lembro, Lia Torá foi junto pros States e também voltou com o rabinho entre as pernas.

Miguel Andrade disse...

Letícia, falei desse livro ainda outro dia aqui. Preciso ter mesmo.

domfernandus disse...

Bom, percebi que o ator brasileiro é oque segura a bandeira , não oque bate continência .... dá pra ver pela fisionomia....

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