segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Evinha não se trumbica

Suave, Eva em carreira solo gravou canções no mínimo graciosas. Não que com os irmãos Mário e Regina, com os quais formava o Trio Esperança, fosse muito diferente.

O super hit Filme Triste (versão de Sad Movie) de 1963 é um assombro de brejeirice. Desligou-se do grupo em 67, mas assumiu o nome no diminutivo no título do quarto disco, de 1974.

Pertencente a esse LP, “Olha Eu Aqui” tem certa alma tropicalista. Evinha (com arranjos eletrônicos) reclama da atenção do interesse amoroso e vai discorrendo sobre o mundo moderninho que estavam saboreando.

Uma graça pra cantar junto! Ouça no player acima ou clicando aqui.

A imagem é um oferecimento Júlio Ferreira

[Ouvindo: Angel Eyes– Frank Sinatra]

18 comentários:

Refer disse...

Evinha (nem a mãe dela a chamava de Eva) é a tradução mais perfeita da música brasileira dos anos pós-bossa nova, por sinal, os melhores anos.

Cantiga por Luciana, Teletema, Casaco Marrom, Que Bandeira, Tigre da Esso, Abrace Paul McCartney Por Mim. Marcos Valle, Nonato Buzzar, Tibério Gaspar, Antonio Adolfo. Evinha, Regininha, Simonal, Sergio Mendes.

* *
A música do Trio Esperança era assumidamente infanto-juvenil. Conhece 'A Festa do Bolinha', de Erasmo Carlos?

Well, ouça a semelhança com 'It Was I', de Gary Paxton, com Skip & Flip:

http://www.youtube.com/watch?v=5eoRfnpvBiE&feature=related

Ligações suspeitíssimas! Gary Paxton foi quem escreveu 'Alley-Oop', que Erasmo versionou para 'Brucutu', sucesso do Roberto.

Aqui: http://www.youtube.com/watch?v=75Q-ZE_Y6es

Miguel Andrade disse...

Refer, desconhecia que eles se assumiam infanto-juvenis...

Refer disse...

Miguel, quem grava músicas chamadas Festa do Bolinha, Gasparzinho, Tartaruga, O Sapo, o que pode ser?

Eles eram adolescentes, então. A Evinha era uma menina mais feia que o capeta, e acabou ficando superbonita quando cresceu.

Isso nos anos 60; depois, nos anos 70, o Trio Esperança voltou com outra irmã no lugar da Evinha e com repertório adulto.

Miguel Andrade disse...

Refer, sei lá! Tudo eram tão dispare.

Ah, por isso a mudança. Pra ela cantar coisas adultas...

Diogo disse...

Baixei esse disco faz uns dias, achei interessante a moça de black power e o nome eva acompanhado de uma maça. hahahaha bom dia pra ti ^^

Diogo disse...

É diferente esta! ainda linda e bem tropicalista, outra cantora bem divertida dessa fase pos-tropicalia era a Maria Alcina.

Miguel Andrade disse...

Diogo, diz que M Alcina durou pouco já naquele tempo. Galera comento naquele post do Top da Pop.

Boa noite pra ti!

Leticia disse...

Refer, falando nisso, me conta direito da vida da Jane (Jane & Herondi) pré-opção pelo brega. O conjunto dela não era "Os Moraes"? Ou Conjunto Farroupilha? Nunca sei...

Miguel Andrade disse...

letície, VIIIIIXE! Desembucha! Também quero saber!

Refer disse...

Olá Letícia,

O nome do grupo vocal da Jane era Os Três Moraes (às vezes, Morais), que acompanhava "todos" os cantores da MPB nos anos 60. Nada a ver com o Conjunto Farroupilha.

Quando o grupo se desfez, em meados dos 70,a Jane casou com Herondy e passou a cantar música popular romântica em dupla; a meu ver, ela e o Herondy se inspiravam em Wess & Dori Ghezzi.

Se vc esqueceu... http://www.youtube.com/watch?v=GIGSVp5HA7c

http://www.youtube.com/watch?v=s2iKHtUV9rE&feature=fvsr

Refer disse...

A Jane pré-brega está em 'Com Açúcar Com Afeto', do Chico Buarque

http://www.youtube.com/watch?v=QHheaAel8TU

Com os Três Moraes, Jane defendeu O sensacional O Sonho, do Gismonti num FIC.

http://www.youtube.com/watch?v=hz85y8yVAaY

O trio imitava os Swingle Singers na cara dura, mas era bom. Gosto demais de 'Freio Aerodinâmico'
http://www.youtube.com/watch?v=WvBO7WbAnos

O trio gravou pouco, três LPs, que eu me lembro, e mais um para o mercado americano, raro pra cacete, como The Brazilians.

O irmão + velho dos Três Moraes virou o (bom) cantor de boleros Santo Morales.

Miguel Andrade disse...

Refer, ótimo! Valeu pelas informações.

Leticia disse...

Taí, Miguel. Nosso arquivão ambulante! Obrigadíssima, Refer!

O que sei (não sei se vi em entrevista ou reportagem) é que Jane não teve outro jeito senão enveredar pela breguice, para pagar o leitinho das crianças.

E, olha só, eu NUNCA tinha visto Wess e Dori Ghezzi. Pra mim ele era um italianão com uma gravata borboleta enorme, como a época mandava.

Mas, Refer, havia um solo vocal da Jane numa música (que não achei no Youtube e não sei o título). Mostrava toda a sua incrível capacidade vocal e "estragou", porque foi usada para absolutamente TUDO no final dos anos 60 início dos 70 (qdo. eu era pequena). Era só na base do parabadabadá... Lembra?

Miguel Andrade disse...

Letícia e Refer, mas vejam, se ela não tivesse feito a dupla popular nem a gente se lembraria mais dela hoje. Serviu pra isso.

Refer disse...

Olá, Letícia, acho que sei a qual música vc se refere, só que não é a Jane Moraes; a cantora chama-se Danielle Licari e a música é 'Concerto Pour Une Voice' — que acabou virando uma "praga".

Aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=hTK9r6htCPE

Porém, como a Jane fez muito comercial para TV e rádio, é até provável que ela tenha gravado uma versão. Não sei te dizer about :(

Miguel Andrade disse...

Refer, putz! Lembro da Jane falando sobre essa música no Qual É A Música?. Como parte dos trabalhos que havia feito pra propaganda, jingle, sei lá.

Leticia disse...

Putz! É isso mesmo, Refer! Lá no Youtube, acabei batendo o olho no Concerto de Aranjuez e fico pensando aqui se músicas são feitas para virar queridinhas (deve haver técnica pra compor coisas que grudam), ou se é sem querer.

De qualquer modo, sou da tribo (tribalista?) que acha que a música estraga quando vira sucesso.

Miguel Andrade disse...

Letícia, ainda mais hoje, tudo estraga quando vira sucesso. Impressionante.

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