sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Os diretores preferidos de Marlene Dietrich

Quando Peter Bogdanovich entrevistou Marlene Dietrich para o livro Picture Show disse “A senhora trabalhou com muitos grandes diretores...” e tomou uma cortada na hora! “Não, não, só trabalhei com dois grandes diretores, Von Sternberg e Billy Wilder.”

E concordando ou não, como resistir a uma franqueza dessas? Cada vez mais rara, com todo mundo cheio de dedos, pensando no que pode perder futuramente se expressar o que realmente pensa.

Josef von Sternberg com quem teve um relacionamento pessoal além de ter sido dirigida em sete filmes, inclusive no mitológico O Anjo Azul (Der Blaue Engel, 1930), não se considerava apenas o criador dela. Dizia que Dietrich não era Dietrich, ELE era Dietrich!

Com Billy Wilder conseguiu ser a estrela em A Mundana (A Foreign Affair , 1948) e muito além disso em Testemunha de Acusação (Witness for the Prosecutio, 1957). Wilder se divertia na época falando que este último era sua tentativa de brincar de Alfred Hitchcock.

Diretor gigantesco, pela declaração a Bogdanovich, o trabalho de Dietrich com Hitchcock em Pavor nos Bastidores (Stage Fright, 1950) deve ter sido mais conflituoso do que se pensa. Ou no mínimo decepcionante.

Ela exigiu controle absolutamente de tudo ao assinar contrato com a Warner. Em Fascinado pela Beleza – Alfred Hitchcock e Suas Atrizes (de Donald Spoto) o gorducho a achou uma “estrela profissional”.

“Era também era profissional como câmera, diretora de arte, montadora, figurinista, cabeleireira, maquiadora, compositora, produtora e diretora”, lembrou após muitos anos. De fotografia, figurino (Dior) à forma como deveria ser fotografada no set de filmagem, tudo passou pelo crivo dela.

Para piorar, ela não fazia nada no estúdio antes de consultar o astrólogo. Controlador obsessivo, para quem (segundo a frase famosa) “atores não eram vacas, mas deveriam ser tratados como tais”, milagrosamente não se opôs a nada!

Mas como de costume, colocou a culpa do fracasso nas bilheterias no elenco. Hitchcock ironizava que ela merecia crédito de coautoria no filme, pelo menos quando está em cena.

Para o homem que mandava Kim Novak parar de tentar interpretar e Tippi Hedren o obedecer ao invés de tentar entender a motivação da personagem... Deve ter contado muito até dez na hora de filmar Dietrich.

[Ouvindo: Ethanopium - Dengue Fever]

10 comentários:

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Que injustiça de Marlene... Ela se esqueceu de ERNST LUBITSCH, FRITZ LANG e ORSON WELLES.

http://badeguardados.blogspot.com/

BBardot disse...

“Não, não, só trabalhei com dois grandes diretores, Von Sternberg e Billy Wilder.”

Apaixonei, né? Sinceridade é meu lema tb!

Isso me lembra uma entrevista que a Elizabeth Taylor deu no fim dos anos 60 dizendo que BUtterfield 8 era péssimo, a personagem idem e que ganhou o oscar por pura simpatia já que as outras atrizes estavam mil vezes melhores que ela!

Palmas para as duas!
A propósito, dizem que elas não se gostavam. Já vi um bilhetinho grosseiro d Dietrich à Taylor por aí mas não sei se é fake... Falam muito que Taylor não se dava bem com Marilyn tb. Vc tem alguma info a respeito ? Fico me perguntando se esse tipo de coisa não devia ser apenas especulação..

Miguel Andrade disse...

Antonio, não sei se esqueceu, né?

BB, também amo gente certeira no que pensa!

Olha, pelo que me lembro, Marilyn não ficou satisfeita com toda a mídia que Cleópatra teve. E os custos estratosféricos que acabaram fazendo com que a Fox revesse seu contrato.

BB disse...

Parece que ficar pelada na piscina em Something's got to give não estava no script. Foi idéia dela, não foi? Pra tirar Liz Taylor das capas de revistas, rs.

Miguel Andrade disse...

BB, verdade. Não pro filme. Ela teria chamado a imprensa para lhes dar este presente. rs

Celso Machado disse...

Eu já não gosto muito de gente que fala tudo que pensa.
Se bem que Marlene nunca foi gente, né?
Deuses são deuses, gente é gente.

Miguel Andrade disse...

Celso, ah sim! Separando sinceridade como grosseria, né? Não se trata da mesma coisa.

Mas gente que faz média pra tudo também não me desce.

Pri[s] disse...

Como bem o Celso Machado disse: Deusas podem tudo!

Já imaginava que Marlene não teria se dado bem com Tio Hitch. Os dois super controladores.

E por incrível que pareça, ainda temos muitos diretores que mesmo não tendo 1/1000 do talento e/ou técnica do Hitch ainda insistem em tratar os atores como gado...

Diogo disse...

Marlene é tudo o que Madonna queria ser.

Miguel Andrade disse...

Pri[s], precisa de muito pouco pros medíocres tentarem disfarçar a mediocridade sendo esnobes e arrogantes. Com diretores então...

Vai que alguém descubra a fraude que são? rs

Diogo, verdade! Lembra deste post?

http://cidadaoquem.blogspot.com/2009/10/opiniao-de-dietrich-sobre-madonna.html

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