terça-feira, 27 de setembro de 2011

Letras garrafais e entrelinhas

Eletrizante pôster de A Guerra dos Mundos (The War of the Worlds, 1953 de Byron Haskin). Com todos os superlativos que eram de direito ao material promocional da ficção científica 50’s.

Tudo o que um cartaz destes diz é na realidade uns dois graus pra baixo. Tanto no começo da década de 50 quanto em 2011!

Já me livrei de muita furada só analisando pôster e capa de DVD. Ou melhor, ajudou a diminuir expectativas percebendo qual é o real estado do peixe que estão vendendo. E alguns, meu amigo, FEDEM!

No caso de ter estampado opiniões de críticos famosos, hoje muito mais em prática que qualquer extravagância gráfica, coloca aí uns cinco ou seis graus negativos. Opinião confiável e isenta de um profissional no produto que está sendo comercializado?

Nunca entendi direito como isso funciona, ou nunca me dei ao trabalho de tentar entender. Lembro que já achei que as distribuidoras utilizassem trechos de seus textos á vontade.

Ingenuidade? Na maioria das vezes quem utiliza o artifício são as distribuidoras gigantes, raramente lemos a opinião de quem quer que seja nos DVDs das pequenas.

Se for o que estou pensando, tomara que essa sambada na cara da confiança depositada pelo leitor seja por um bom valor. Se é que confiança tem preço.

Sem querer me estender no assunto (mas o papo está bom!), já li "crítico" bem conhecido falando uma coisa sobre um filme quando foi lançado no cinema e anos depois rasgou elogios quando foi ser exibido na TV. Nesse meio tempo ele havia trocado de emprego, claro.

Pelo menos agora temos blogs, onde se exprime opiniões indepen... Que?

PS: Falando em críticos e críticos, nunca leio resumos de contracapa e desprezo absolutamente quem confunde opinião ou sinopse sobre um filme com descrição de cenas. Deixa eu assistir, pô!

O poster é um oferecimento Mars book covers: Science Fiction & Fantasy

[Ouvindo: Marcianita - Billy Cafaro]

10 comentários:

Refer disse...

Claro que é ingenuidade sua!

Vc acha sinceramente que os críticos, hoje, assistem a tudo o que eles criticam?? Todos os DVDs, todos os filmes no cinema? Acha que eles ouvem todos os discos, com a avalanche de produtos que é despejada no mercado?

Ora, eu não dou conta de assistir nem a meio filme por dia.

* * *
Parabéns pelo bom gosto em ouvir o fantástico Billy Cafaro. Em rock, os argentinos dão de 10 x zero na gente.

Miguel Andrade disse...

Refer, mon ange... Eu disse que ANTES eu achava que era à toa.

Sabe o que acho errado nisso tudo? É essa necessidade de ter que criticar tudo o que é lançado.

Com o passar do tempo não se fica seletivo? Não há coisas que merecem um holofote até enquanto embrionárias e outras tem mais é que passar batido mesmo?

Cadernos culturais são listas telefônicas de lançamentos? Enfim...

Mutia, mas muita porcaria mesmo acaba ganhando bem mais destaque do que mereceria. Enquanto coisas boas são resumidas em dois parágrafos.

Mesmo agora com blogs, sinto um desespero da galera em ver quem assiste mais coisas e sai publicando na frente. Acabam tratando tranqueiras com um tom quase que pomposo.

***

Em termos de rock, de futebol, de cinema... Ah, esses argentinos! rs

Leticia disse...

Bem, quanto a filmes não sei, mas livros! E aqueles americanos, que trazem na quarta capa as opiniões de jornais... quando você vai ler... qual!

Só sei de uma coisa: ao montar uma editora, tenha amigos na grande mídia. E na CBL, por causa da lista de indicações do Jabuti.

Miguel Andrade disse...

Letíci, o segredo pra tudo nessa vida são as amizades na grande mídia. Até boçais ganham emprego, estilistas recebem elogios de gênios, músicos medíocres são tratados como Elvis, e assim por diante com cinema, literatura, etc.

As amizadinhas nefastas...

Anônimo disse...

Engraçado é que os indicadores dos amigos nem percebem que estão colocando seu emprego em risco. Não há empresa comum que sobreviva assim. Só estatal, é claro.

Miguel Andrade disse...

Anônimo, emprego pra esses senhores não é problema, sempre há um novo empreendimento de algum bispo, uma rede de locadoras precisando de alguém pra escrever em seu jornalzinho interno... Mas e a reputação?

Leticia disse...

O Anônimo sou eu, of course...

Sobre a reputação, na maioria dos casos a gente nem fica sabendo...

Miguel Andrade disse...

Letícia, imaginei que era você. Mas então, pensei nisso depois.

Povão que é povão mesmo não se lixa pra esses detalhes. Ainda mais se for um crítico famoso.

Sempre vai ter uma patotinha AMANDO o que ele diz, só pq ele já apareceu na TV.

Leticia disse...

Opa!

Miguel Andrade disse...

Letícia, e profissionais assim vivem pra esse grupinho. Grupinho bem gigantesco...

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