quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Quibe clássico: Rebecca e A Sucessora

Anúncio publicado pelo todo poderoso David O. Selznick para promover a estreia de Hitchcok nos EUA. Já era chamado de gênio e autor em 1940, embora a Cahiers du Cinéma reivindique para si o pioneirismo no emprego destes adjetivos ao diretor.

Diz a lenda que Selznick estava tão atarefado com a produção de ...E O Vento Levou (Gone with the Wind , 1939 de Victor Flerming) que deixou o inglês trabalhar à vontade em Rebecca, A Mulher Inesquecível (Rebecca, 1940). Deve ser meia verdade, afinal, sabia bem sobre o profissional que havia importado a Hollywood.

E falando em Rebecca, impossível não puxar o suposto plágio que envolveu a brasileira Carolina Nabuco, autora de A Sucessora, publicado em 1934 e o best-seller de Daphne Du Maurier. Nabuco faleceu em 1981 mantendo que o da inglesa era cópia do seu.

Declarou que quando o filme de Hitchcock adaptou Rebecca, advogados representantes da produtora United Artists a procuraram para que ela assinasse documentos afirmando que acreditava ser mera coincidência, mediante pagamento. Ninguém parece ter dado muito bola, embora essa preocupação dos americanos já me parece uma confissão, inclusive com conhecimento de Hitchcock, sempre tão cuidadoso com os meandros que envolvi a feitura de suas obras.

No artigo “À sombra da outra: A segunda mulher na literatura" há muitas outras informações sobre o caso, e interessante análise entre os dois textos. Leia clicando aqui.

O Brasil parece ter tomado consciência mais ampla da história quando a TV Globo transformou A Sucessora como telenovela em 1978. A trama adaptada por Manoel Carlos continha muita coisa em comum com o filme.

Pelo resumo encontrado no blog Novelas Clássicas (de onde também saiu a foto da Suzana Vieira), poderíamos jurar que a novela adaptou o filme:

“Os recém-casados Roberto (Rubens de Falco) e Marina Steen (Suzana Vieira) enfrentam dificuldades em sua relação por conta da memória da ex-mulher de Roberto, Alice Steen. Cultuada num retrato, mesmo depois de morta, Alice exerce um fascínio todo especial em todos com quem conviveu, principalmente na governanta Juliana (Natália Thimberg), absolutamente fiel à antiga patroa e apaixonada pelo patrão. Vendo em Marina uma intrusa que está ocupando um lugar que não lhe pertence, Juliana mantém na mansão um clima de mistério e cria intrigas para separar o casal(...).”

Muitas novelas brasileiras adaptaram na cara dura argumentos de Hollywood, fiz alguns posts a respeito aqui. Não estamos falando de novelas, ou "ladrão que rouba ladrão 100 anos de perdão", mas sim de livros.

Seja como for, a história cheira bastante a Davi Vs Golias. E se a gente normalmente tem tendências a torcer pelo pobre Davizinho, imagina se ele for do país do carnaval?

Pessoalmente Rebecca pode não estar no topo dos meus filmes favoritos, mas o livro na estante é um dos que mais me enche de orgulho. Capa dura, parecendo livro de feitiço, edição de 1940, traduzido Ligia Junqueira Smith e Monteiro Lobato, o pai da Emília!

Na segunda página todo o cast do filme de Hitchcok, pra ir imaginando a cara dos atores enquanto lê “A noite passada sonhei que tinha ido a Manderley...”. Isso tudo por aquele simpático preço de amendoim torradinho: 5 pratas!

O anúncio do filme é um oferecimento Greenbriar

[Ouvindo: Ham the Space Monkey- Ray Allen & the Embers]

29 comentários:

Leticia disse...

Opa! O meu é igualzinho! Comprei, meus pais leram e achamarm que não tem nada que ver com a Sucessora (novela que eles SONHAM que se reprise).

Já leu? E que tal? (partindo do pressuposto de que você saiba alguma coisa da Sucessora. Acho que nem era nascido nessa época...)

Miguel Andrade disse...

Letícia, naquele artigo que tem o link no post o cara fala isso também. Entre os dois livros mesmo, talvez apenas o mote da "outra" seja o mesmo.

Mas o que me encafifa é a preocupação dos gringos com o processo...

Não li com medo de despencar o livro. Sempre o mesmo medo.

Preciso de outra edição pra bater. Sem dó de estragar.

Super queria ver a novela. Não achei nem um compacto dando sopa por aí.

Leticia disse...

Uma pena, Miguel. A novela deve ter passado no final dos 70, era uma gracinha. Muito benfeita, cenários, figurinos e tal. E oportunidade de ver Suzana!!!!!! na fase pré-barraco.

Pode ler o livro à vontade. Papai leu, mamãe leu e ele não se desintegrou.

Miguel Andrade disse...

letícia, pelo blog Novelas Clássicas é de 78 e foi a segunda a reprisar no vale A Pena Ver de Novo, no começo dos 80.

A Suzana na fase atriz! Uma pena ela ter se queimado tanto...

Ah, eles leram na atualidade? E A Sucessora eles leram também ou só a novela?

Refer disse...

Rescível, A Mulher Inequebecca. Era assim que a gente chamava esse filme e, acredite, morria de rir com essa idiotice.

Desencanemos. Pode ser mera coincidência, não pode?

Ontem mesmo, fiquei boladão com uma coincidência envolvendo uma frase minha e outra de Bob Dylan(!!). Até agora estou dizendo pra mim mesmo 'calma, Refer, calma'

Miguel Andrade disse...

Refer, podia... Mas parece que tem gente série pesquisando a fundo, se for verdade é muita sacanagem.

Enfim, Hitch não deve ter se abalado, adaptou também (se não me engano) Os Pássaros também da tal Daphne Du Maurier.

Você anda tomando alguma coisa?

Refer disse...

?como assim, "tomando alguma coisa"?

só norrabo, com tanto trabalhinho de corno que sou obrigado a fazer pra garantir a ração nossa de cada dia dos meus gatos. BTW a Mariazinha está completando 9 anos também.

Leticia disse...

Não, Miguel, eles não leram a da Carolina. Mas, olha, acho que já li em algum lugar que ela mesma disse que não era plágio. Talvez tenha sido só um excesso de zelo de Hollywood. Devia aparecer denúncia aos montes de aproveitadores por lá.

Bob Dylan te plagiou, Refer? Tá parecendo eu quando vi, há séculos, o Marcelo T.a.s dizendo "over the dry meat". Coisas se inventam ao mesmo tempo, essa é a verdade.

Quanto ao trabalho, relax! Estava oprimida também, mas hoje bateu a redenção moral pra enganar o inconformismo. Um dia passo aí perto, a gente marca um café e em quinze minutos bola uma empresa pra ganhar bastante grana, podeixá!

Miguel Andrade disse...

Refer, uai, deu pra ouvir suas palavras na boca do Bob Dylan! Hahaha

Mariazinha já tá virando mocinha!

Miguel Andrade disse...

Refer, tem o lance dela ter mandado traduzido em inglês a um editor inglês em que a outra trabalhava. Ao que consta, foi no seu livro que Carolina contou a história dos advogados.

Não li nenhum dos dois. Só vi o filme mesmo, mas é MUITA coincidência até a governanta assombrar a moça.

Leticia disse...

Achei aqui. No pdf, busca lá "plágio", e você encontra a citação dela:

http://www.uesc.br/seminariomulher/anais/PDF/MARCELO%20MEDEIROS%20DA%20SILVA.pdf

Miguel Andrade disse...

Letícia, tá certo o link? Deu Not Found.

Anônimo disse...

Então põe no Google: CAROLINA NABUCO: PRIMEIROS PASSOS DE UM RESGATE. Marcelo Medeiros da Silva (UFPB), daí, dentro do coumento, procura por "plágio" que vai direto para a citação.

Miguel Andrade disse...

Anônimo (Letícia?), deve ser a base pro texto que linkei no post.

Leticia disse...

Isso. Eu mesma.

Miguel Andrade disse...

Letícia, sabia!

Leticia disse...

Bem, falei com meus pais e a gente cocnluiu algumas coisas: o estúdio estava certo quando pediu pra Carolina Nabuco assinar o papelzinho. Porque eles estavam se baseando no livro Rebecca, e não no dela.

Dois que, se a questão é quem bolou o esquema primeiro, CN deve ter copiado de Jane Eyre (de uma das Brontés), cuja história é QUASE igual.

Miguel Andrade disse...

Letícia, faz sentido. O cara do artigo fala algo parecido também.

De o quanto é comum a base daquela história. O estúdio quis se livrar de futura dor de cabeça.

Leticia disse...

Claro! Imagina a renca de casos semelhantes que eles tinham de enfrentar.

Lançavam um filmaço e, pá!, logo vinha alguém dos confins da Polônia reclamar autoria...

Miguel Andrade disse...

Letícia, confins da Polônia! Hahaha

O fim dessa história é bucólico. Ele desistiu de processar pq ficou feliz com o reconhecimento nacional. rs

Bem Brasil!

Leticia disse...

Tenho pra mim que o motivo foi outro.

ELA deve ter tido medo de desencavarem alguma outra história anterior, que, afinal, não é tão rara assim.

Alan Oliveira disse...

Nossa, não sabia disso não...agora fiquei curioso pra ver a novela :(

Miguel Andrade disse...

Letícia, será? Tadinha... E se ela foi roubada mesmo? Difícil brigar com grandes corporações.

Alan, também queria ver a novela, ou achar o livro pelo menos.

Leticia disse...

Daí não se sabe, Miguel. Não dou benefício moral de antemão pra ninguém...

Quanto à novela, mistério... Diz a Globo que certas coisas eles não repassam porque não está dentro dos padrões técnicos atuais, e pá e coisa.

Mas CERTEZA que se repassasse no Viva uma ser um sucesso. Muita gente tem saudade dessa novela, e muitos de hoje iriam adorar.

Miguel Andrade disse...

Letícia, foi o que já disse aqui... A Globo teima com esse padrão atual até no canal de novelas antigas.

Uma bobagem!

Tava pensando, será que a novela não pegou mais coisas de Rebecca misturadas ao livro A Sucessora? Sabendo de como os autores bebem de fontes hollywoodianas, quem sabe...

Leticia disse...

Não lebro a esse ponto, Miguel. Só sei que foi nessa ocasião (da novela) que surgiu o bafafá da Carolina.

Miguel Andrade disse...

Letícia, irônico que quando novelas COPIAM filmes tá tudo bem...

Anônimo disse...

A novela A Sucessora foi baseada no livro homônimo da Carolina Nabuco e não no filme.

Miguel Andrade disse...

Anônimo, e você leu o contrário aonde? Por favor, leia o post antes de comentar!

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