sexta-feira, 22 de julho de 2011

Precisa ter juntas duplas e sangue húngaro

Quando blogs tiverem som, você me ouvirá pronuciar “Childrrrrren of the night. What music they make!” no início de posts como este. Hahahaha! E com insuspeito sotaque húngaro. Tá pensando o quê?

Esses frames são da mesmíssima cena do Drácula de 1931 filmado pela Univeral para o mercado latino e o célebre de Tod Browning com Bela Lugosi no papel principal. E está na hora de quebrar tabus!

Que nhenhenhém é esse dos “sábios” criticões de Internet desfazerem do filme de Lugosi? Isso condiz bem com a atual realidade, onde qualquer um diz qualquer asneira com relativa visibilidade.

Sem o filme de 1931 provavelmente não haveria qualquer outro sobre o conde imortalizado no romance de Bram Stoker. Não com o mesmo destaque.

Amigo, não dá para avaliar um filme antigo, ou QUALQUER coisa que seja, sem levar em conta sua localização histórica, seu impacto no momento em que surgiu. Drácula de Tod Browning foi um marco, o Avatar de 1931.

Fiz um post sobre seu peso cultural e nem faz tanto tempo assim. Foi tanto que décadas depois da sua estreia, quando o ator principal faleceu , a Folha de São Paulo aqui no Brasil publicou em sua primeira página fotografia dele como Drácula. Reveja clicando aqui.

A versão espanhola não deixa de ser curiosa. Quando o cinema passou a ser sonoro, Hollywood se viu numa encruzilhada, já que não bastava apenas trocar os letreiros no país em que seria distribuído, como era na fase muda.

Piada foi que não sacaram logo que bastava DUBLAR o filme em outra língua. Refaziam o filme inteiro, com elenco específico pra cada região do planeta!

Só a versão latina de Drácula de 31 (outra prova do hit!) permaneceu na roda hoje em dia, como excentricidade, sendo comentada no documentário O Caminho para Drácula (The Road to Dracula, 1999 de David J. Skal) embora os estúdios tenham feito várias outras versões. Tal atitude teve sua importância histórica para o cinema.

Foi assim que Luis Buñuel conseguiu o primeiro contrato no cinema, adaptando roteiros para a língua espanhola. Acha pouco?

A quem interessar possa: Mexeu com Bela Lugosi mexeu comigo. Sim! Como aquela carinha em relação á Xuxa. Humpf!

PS: Nas duas ultimas ilustrações do post, compare (se puder) Bela Lugosi com Carlos Villarías. Tem o que discutir?

[Ouvindo: Requiem Rex Tremendae Majestatis - Wolfgang Amadeus Mozart]

5 comentários:

Daniel Tavernaro disse...

Morri de rir da cara de "Estou com medo das sombras" do Drácula Latino. Uma mistura de medo com pavor, hahahhaa

LH disse...

"Medo das sombras", Daniel? Pra mim pareceu mais aquele tio que toda família tem que, nas festas, enche a cara mais do que devia... A foto foi tirada no momento em que ele já gritou tudo que foi baixaria e vai começar a chorar. (gargalhadas)

E aproveitando que o post é sobre Drácula, Miguel, uma vez assisti na Globo (há muuuuuito tempo atrás, eu ainda era criança) um filme do Drácula que ele assaltava bancos de sangue (!) e era passado numa época mais atual. Você sabe do que eu estou falando? Ou nem tem a mais vaga idéia?

Miguel Andrade disse...

Daniel, DOIS!Sou totalmente Lugosi!

LH, Hahahaha!!! Nené, ontem mesmo discutimos aqui em casa que Drácula era sinônimo de Christopher Lee.

Antes de saber o nome do Lugosi, sabia da existência do Lee.

Daniel Tavernaro disse...

A cara dele é aquela cara de "me tira daqui em nome de jesus antes que eu comece a gritar desesperadamente e freneticamente..."

Bem a cara de pobre-coitado latino-americano...

Miguel Andrade disse...

Daniel, hahahahahahaha!!! Nem tenho o que responder!

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