segunda-feira, 18 de julho de 2011

Casa da Mãe Joana de títulos. Até quando?

Será que é só no Brasil que acontece essa zorra com os títulos dos filmes? A cada lançamento, ou relançamento, eles mudam como cada um bem entende.

Sete Homens e Um Destino (The Magnificent Seven, 1960 de John Sturges) foi o exemplo disso que me deparei ontem. Segundo as legendas nos créditos iniciais do DVD, seu título é Os Sete Mercenários.

Não é Os Sete Mercenários nem aqui nem na China! Mercenário é quem coloca no mercado uma edição de DVD chamada "edição especial" e não só deixa de legendar extras, como não revisa as do filme em si.

Mas é mais perdoável a maçaroca de errinhos de digitação (que suas legendas têm!) do que o título do filme trocado assim! Título tão conhecido quanto a música tema usado nos anúncios antigos do cigarro Marlboro.

Não há desculpa pra isso. Mesmo que o caboclo que traduziu não tenha acesso ao IMDB, impossível que nunca tenha ouvido falar nesse remake norte americano de Os Sete Samurais (Shichinin no Samurai, 1954 de Akira Kurosawa).

Na capa e menus aparece do jeito mesmo que foi lançado aqui. Aliás, seria bom se isso fosse levado como padrão: O título de quando foi distribuído nos cinemas originalmente.

Seria mais fácil pra todo mundo! Outro dia descobri que Summer School (1987 de Carl Reiner), comediazinha 80’s que a Globo enjoou de passar na Sessão da Tarde como Curso de Verão na verdade chama-se Curso de Férias.

O IMDB aponta “Curso de Verão” como título de exibição de TV. Não lembro qual era quando estava em cartaz, então não posso opinar sobre essa mudança, só tenho a certeza de que ele é bem mais conhecido por passar na televisão do que nos cinemas.

Entre as emissoras, a campeã na carnavalização de títulos é a TCM. Na dúvida eles simplesmente traduzem literalmente do inglês...

The Fly de 1958, produção manjada em terras tupiniquins desde sempre como “A Mosca da Cabeça Branca”, vira pra eles apenas “A Mosca”. Em House of Usher de 1960 tacaram “A Casa de Usher” ao invés de “O Solar Maldito”.

E por falar nesses com o Vincent Price, outro com ele cujo título também rebola é Theater of Blood de 1973. Já saiu em DVD tanto como As Sete Máscaras da Morte e como Teatro da Morte, sendo que o primeiro era o usual no país.

Parece bobagem, mas pode induzir o consumidor a erro, comprando o mesmo produto duas vezes sem saber. Já basta a costumeira reembalagem, quase sempre sem aviso algum de que o conteúdo do disco trata-se exatamente do mesmo vendido anteriormente, lembrando da pouca vergonha de Um Corpo Que Cai (Vertigo, 1958 de Alfred Hitchcock) em DVD pela Universal.

É por essas que me sinto na obrigação (embora dê certo trabalhinho a mais) de sempre que cito algum filme aqui no blog incluir o título original, ano e diretor. Pra não colaborar ainda mais na bagunça.

Veja também:
Nomes de filmes no Brasil e em Portugal


17 comentários:

Terla disse...

Sabe que os nomes dos filmes (e suas versões tupiniquins) podem realmente influenciar a gente em inúmeros sentidos.
Esses dias, em uma roda de amigos, um disse q não tinha gostado de: minhas mães e meu pai, que achou sem sentido. Foi quando um outro amigo disse que eramos induzidos pelo nome brasileiro, já que o nome americano era bem mais adequado a historia. E realmente, the kids are all right diz absolutamente tudo sobre o filme depois que assistimos.

Tu sabe o que leva a ~versões tão toscas??

Miguel Andrade disse...

Terla, ah sim! Isso também.

O principal erro nesses casos é induzir o futuro espectador de forma errada. Mesmo o filme sendo legal, se a pessoa sentiu suas expectativas frustradas, invariavelmente falará mal.

Já vi casos (não lembro quais agora) que estava evidente que o título do Brasil foi escolhido por alguém que assistiu apenas aos primeiros 5 minutos do filme. :D

Rafaela disse...

Tem vários títulos que na versão brasileira ficam ridículos. Ficam inventando moda ao invés de apenas traduzir o original.
O "The Fall" eu jamais teria assistido se conhecesse pelo título nacional "Dublê de Anjo" (wtf?!). E "My Girl" que virou "Meu Primeiro Amor" e quando saiu o segundo ficou "Meu Primeiro Amor 2". 2 primeiros amores? E vale isso? haha
Até o simples "The Hangover" que poderia ser traduzido apenas como "Ressaca", que já diz muito sobre o filme, inventaram um "Se Beber Não Case".
Desnecessário...

Miguel Andrade disse...

Rafaela, mas pensando de forma comercial, vejo sentido em arrumarem um título de acordo a cada região em que lançam. O problema é a total falta de critério e/ou noção.

Geralmente apelam para uma saída bem popular, acrescentando "louca", "Loucuras" e coisas do tipo. Acho um saco!

Bem lembrado de My Girl! Hahahaha

Muito me arrependo de não ter assistido Serial Mom no cinema pq além de não conhecer quem era John Waters, me recusei ao trocadilho "Mamãe é de Morte".

Plaza disse...

Falando em Hitchcock, você viu que o Catalogo da mostra dele já esta circulando na net para baixar?

Refer disse...

Alguns títulos de filmes apelam ao (in)consciente coletivo, mas no Brasil perdem esse sentido; então "eles" mudam, geralmente, para pior. 'Minhas Mães e Meu Pai' é de phoder!

***
Somente em ler o título 'My Girl' já começo a ouvir os acordes do hit de Smokey Robinson e, se eu estiver inspirado, ensaio uns passinhos, imitando os Temptations.

Traduzido, o título não me diz porranenhuma.

A mesma coisa com 'The Kids Are Alright'— lembro na hora da música do The Who. Traduzido, pra mim é um título qualquer.

Miguel Andrade disse...

Plaza, não vi! Cadê?

Refer, concordo. Problema mesmo é a repetição de títulos.

Se minha Minha Mão é Uma Sereia fez sucesso, espere pode dezenas de nomes no Brasil com "Minha Mãe é..." qualquer coisa.

"A Hora do Espanto" foi um hit? Dezenas com "A Hora do...". O que mais deu certo neste caso foi "A Hora do Pesadelo", que em nada lembra o original A Nightmare on Elm Street.

Leticia disse...

Devia ter uma regulamentação (autorregulamentação?) pra essa festa do caqui, né?

Traduziram da primeira vez, fica como está pra todo o sempre. Mas nem com livros é assim...

Agora, a mediocridade dos títulos brasileiros não tem solução... É tudo adaptado para nosso exuberante entendimento.

Plaza disse...

Neste Link aqui:

http://www.4shared.com/document/IhggAIwC/Catalogo_Hitchcock.html

LH disse...

Li, li aqui e percebi que ninguém comentou um que até hoje me dá dores de cabeça toda vez que tento entender os motivos brasileiros...

Por que o mundialmente conhecido "Um bonde chamado desejo" aqui no Brasil, só aqui, virou "Uma rua chamada pecado"?????

O que tem a ver com as calças?

Miguel Andrade disse...

Letícia, reclamo pouco dos títulos atuais do Brasil. Sabendo bem o tipo de povinho que habita esta terra, são compreensíveis.

Duvido que mesmo com livro eles não tenham como saber qual foi o título lançado antes. É descaso mesmo.

Plaza, opa! Já tá na "mão". Obrigado.

LH, fiquei por um triz pra incluir esse caso no post. Um Rua Chamado Pecado é o título de quando saiu nos cinemas, goste-se ou não era como ficou conhecido.

Tem relação com o tipo da época no Brasil, sempre apelando pra tara dos conservadores irem ver. Como "A Foreign Affair" virou A Mundana, "Bus Stop" Nunca Fui Santa, "Lets Make Love" em Adorável Pecadora.

Voltando a "A Streetcar Named Desire", passaram a usar "Um Bonde Chamado Desejo" quando o relançaram restaurado nos cinemas na década de 90.

Outro caso que me deparei não faz muito tempo foi Relíquia Macabra agora aparecer como O Falcão Maltes, embora o DVD faça menção ao antigo título nacional.

Leticia disse...

LH e Miguel, raciocinemos:

"Desejo" para sociedades livres, que encaram a vida naturalmente.

"Pecado" para sociedades cativas, ainda muito místicas e cheia de tabus.

E por isso mesmo atraídas mais que o normal pela palavrinha.

Miguel Andrade disse...

Letícia, certeza absoluta! Faz muito sentido.

LH disse...

Letícia, assino embaixo também. Mas pesquisando no Gúgou (risos), achei este seguinte trecho numa página do Itaú Cultural:

"Primeira montagem brasileira de Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams (...) A mudança do título da peça (A Streetcar Named Desire) para Uma Rua Chamada Pecado, pelo tradutor Carlos Lage, é condenada pela crítica da época, que aponta sua gratuidade."

Quanto ao Falcão Maltês, eu tenho o DVD - e também fiquei meio boiando quando comprei... Aquele "O Falcão Maltês" e logo abaixo (em letras bem menores) "Relíquia Macabra", bem na capa. Bizarro.

Miguel Andrade disse...

LH, mas não estamos falando da crítica, mas de quem escolheu o título na distribuidora. Mas é curioso saber que já era diferente na peça.

Quanto ao falcão, Não entendi o pq da mudança mesmo, se quando imprimiram sabiam que não era esse.

Leticia disse...

LH, é bom saber que esculhambaram desde o começo. Vai que o coitado do tradutor aceitou essa imposição? Nunca se sabe...

Mas que nós brasileiros temos duas faces (Miguel já disse isso aqui uma vez), ah, isso temos. Que doença...

Miguel Andrade disse...

Letícia, pois é! Ele pode ter acertado isso com os detentores dos copys.

Ô se temos! Foda que eu reclamo disso e jamais reverba.

Até escuto uns "cala boca que tu não é brasileiro". Como se eu não tivesse direito de querer que o país melhores por não ter nascido aqui.

Cresci, trabalho, recebo e gasto meu dinheiro aqui e sou obrigado a me conformar com esse circulo vicioso de pobreza.

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