quinta-feira, 19 de maio de 2011

Troféu abacaxi cinematográfico

Esse doc do Chacrinha, Alô, Alô Terezinha! (2009 de Nelson Hoineff) deve interessar apenas praquele tipo de gente mórbida que se interessa em ver antigas celebridades no miserê. Sabe? Gente que aponta a ruga na cara da ex-bonitona como se não tivesse espelho em casa.

De resto, fica a sensação de que uma ótima ideia foi desperdiçada em prol do sensacionalismo rasteiro. Preciosos (e longos) minutos utilizados para antigos calouros choramingarem, chacretes na terceira idade mostradas de forma constrangedora, etc.

Constrangimento do começo ao fim a troco de nada. O filme acaba e a gente (além da deprê com tanta tristeza) fica com cara de “ué! É só isso?”.

Sem falar que não parece ter sido montado numa época de edição digital. Até coisas que poderiam ser engraçadas (como o cara que foi no começo dos 80 imitar a Lisa Minelli repetindo o número hoje) pecam pelo tempo em que aparecem.

Prova maior da furada do projeto como documentário foi quando perguntam aos entrevistados quem era a tal Terezinha que o apresentador chamava como bordão. Sete ou oito pessoas (entre chacretes e cantores que iam ao Cassino do Chacrinha) deram suas opiniões pessoais.

Bastaria uma pesquisada simples para informar ao espectador pelo menos isso. Na verdade o “Velho Guerreiro” em seus tempos de rádio dizia “Clarinha”, que era o nome de um anunciante.

Ao perder o patrocínio ele adaptou para Terezinha. Ninguém me perguntou...

[Ouvindo: Trance Dance - Korla Pandit]

15 comentários:

Leticia disse...

Ainda bem que você está avisando. Não vi, e agora não verei. Bela novidade fazer chacota com a decadência alheia, sem olhar para a própria.

Falando em Cacrinha, parece que aquele canal de reprises vai passar uns programas este mês. Esses, sim, deve ser legal de ver.

Falando nisso, Vale Tudo em momentos acachapantes. Catarse coletiva com os infortúnios de Maria de Fátima.

Verif. de palavras: "Phodoya". Agora também em pó, para alívio dos pés.

Ricardo A.M. disse...

Falando nisso, doc por doc envolvendo o Chacrinha eu preferi os programas que o Canal Brasil fez com as chacretes, numa série intitulada justamente... "As Chacretes" (dãããã). São episódios individuais e achei bem mais interessantes, porque não fica só na coisa do miserê e lacrimejos, pelo contrário.

Ah, sim, dá pra assistir pelo site do Canal Brasil.

Quanto ao lance da Terezinha, rapaz, fala sério! Essa história da Água Clarinha era conhecida desde a primeira edição do "Guia dos Curiosos", tem gente que ainda não sabia? Rsss.

Miguel Andrade disse...

Letícia, vazio e deprê. Não podem nem falar que deixaram muitos temas de fora pq é muito mal editado e demorado em alguns pontos.

Uma pena. Fui assistir quente! De 1 a 10 estrelinhas daria 3.

Vi pelo Twitter que está sim. Pena que não tenho Viva. Assistia a novela online.

Ricardo, que era sobra deste. também assisti a alguns episódios e era melhor. Feito com mais calma pelo menos.

Vi o lance da Clarinha numa revista 80's. Coisa bem conhecida e o documentário nem pra esclarecer isso serviu.

Glauco disse...

Esse doc também me surpreendeu negativamente, esperava uma coisa mais didática, careta, contando a história do apresentador de forma cronológica, mas... bem, vc descreveu bem o que é o filme. A cena da Índia Potira numa fonte na entrada da aprazível cidade de Paraíba do Sul me deixou passado!

Miguel Andrade disse...

Glauco, bem lembrado. Mostrar a Índia na fonte foi bem pra esculachar com ela mesmo. Lamentável.

Alex disse...

Miguel, não achei o documentário um abacaxi. Mas talvez tenha funcionado comigo porque eu não existia na época do Chacrinha. Neste sentido, pude conhecer melhor essa figura que tanto esteve presente na minha infância através de homenagens na tevê e o falatório daqueles que assistiam o seu programa.

Mas também não adorei. Não me simpatizei com a maneira como o realizador desvia o foco do icônimo apresentador, especialmente ao destacar a Rita Cadillac.

Miguel Andrade disse...

Alex, então você não conheceu NADA dele pelo documentário. Por exemplo, Elke Maravilha, figura lendária do corpo de jurados do programa, apareceu cantando "Dona Maria Quer Alho" e só!

Imagina as histórias que essa mulher deve ter pra contar sobre o programa?

Leticia disse...

Alex, Chacrinha era algo tão inovador pra época que vivia sendo tema de estudos de comunicação, semiótica e tal. Foi o pioneiro da "bagunça" na tevê.

Miguel Andrade disse...

Letícia, aposto que o cara que fez o doc colocou a culpa nisso pela bagunça do filme. Mas ali é bagunça sem rumo mesmo.

Moyses Ferreira disse...

ih... adorei esse filme. acho que sou esse tipo de gentinha que adora ver os outros na merda!!! e olha que tenho espelho em casa!! acho o filme foda! o doc. uso o velho guerreiro como desculpa pra falar da decadência. AMO. A crueldade do diretor é divina, quero muito ver o doc. que ele fex sobre o paulo francis!!!

Moyses Ferreira disse...

usa. fez. bebado.

Leticia disse...

Miguel, até porque a bagunça do Chacrinha era um tanto estudada.

Miguel Andrade disse...

Moyses, enquanto não é a mãe, irmãos, pessoas queridas da gente na merda...

Sou dos que não suportam que façam com os outros o que não gostaria que fizessem comigo. Simples assim.

Letícia, pois é! Não amadorismo como este. Mal editado, mas programado, mal estruturado...

Da Índia disse...

Já eu gostei desse documentário, mas por um fator distinto. Esse filme deveria ser estudado por psicólogos e psiquiatras, tamanha é a quantidade de gente louquíssima que ele mostra, de pessoas que vivem hoje como se estivessem no passado, há 30 anos. Parece que se abriu um bolsão no tempo e esse pessoal ficou todo lá. Curiosíssimo!

Miguel Andrade disse...

Da índia, mas aí é que está! Não somos todos nós desse jeito?

Me pareceu uma grande má vontade, ou sensacionalismo picareta, mostrar apenas o lado triste dos retratados.

Gente que não tá numa legal e ainda são expostas nessa condição por alguém que vai ganhar dinheiro com isso.

Related Posts with Thumbnails