quarta-feira, 2 de março de 2011

Pausa para nossos comerciais

O futuro dele está em suas mãos – Gordura de Côco Carioca

Pe-pe-peraí! O mais misógino anúncio que estes olhinhos que a terra à de traçar já lera.

Vou republicar a parte do texto pra gente ver se entendeu direitinho. Ei-lo:

A realização do sonho dourado da moça é basicamente para o homem sair da casa da mãe e continuar com os provimentos domésticos em dia. DEVERES domésticos!

Entre os deveres domésticos, o mais importante é a alimentação do marido. Nobre missão de ser escrava...

Nos lares mais tradicionais (tipo as mães, tias, avós de quem tem mais de 30 anos) isso ainda encontra algum sentido de forma velada. Nem duvido que quem ousa subir a um altar vestida de véu e grinalda em 2011, lá no fundinho, não creia pelo menos um pouco.

As pessoas são as mesmas, o que mudou foi a forma de dar nome aos bois. De Zé agora o chamam José.

O anúncio é um oferecimento da Tia Cris por e-mail

[Ouvindo: A Different Corner – Wham Feat. George Michael]

25 comentários:

Leticia disse...

A Gordura de Coco Carioca, símbolo máximo da dedicação feminina a seu macho, era o que havia lá em casa quando fui pro RJ.

Acostumadinha desde cedo aos óleos vegetais que todo mundo consome até hoje, achei aquilo muito esquisito, tanto é que o cheirão da fritura não me saiu da memória. Aos poucos, porém, os hábitos foram mudando lá em casa, e as preferências das titias deram lugar à praticidade e modernidade(toc-toc-toc) dos meus pais, amém.

Ah, Gordura de Coco carioca não era NADA para uma vida matrimonial plena sem aquele remédio pra sífilis que você postou outro dia.

Miguel Andrade disse...

Letícia, mas era tipo um óleo vegetal? Não entendi pra que servia.

Substitui a margarina?

Tchia Deslogada disse...

E o que é esta ilustração, Tchio? A expressão de absoluto deshlumbre da môfa, como se pensasse "enfim, salva do encalhe!!", e o bofe com o cabelo duro de gumex e aquele bigodinho infame...

A primeira vez que vi esse anúncio eu devia ter uns 9 aninhos e fiquei chocada. O___O

Miguel Andrade disse...

Tchia, sério que você já tinha visto isso antes? Pensei que você tivesse acabado de comprar a revista.

Mas achei eles bonitinhos. Gente carcomida pelo tempo. Acho até triste, melancólico...

Tchia Deslogada disse...

Tchiiio, essa revista era da minha madrinha. Ficou séculos guardada num armário velho que eu adorava fuçar. Quando ela mudou e tacou metade da casa fora, fiz questão de salvar essa preciosidade.

Tinha também uma "Fatos e Fotos" de quando a Ieda Vargas venceu o Miss Universo, mas esta infelizmente os cupins jantaram.

Miguel Andrade disse...

Tchia, aaaah! É de família.

Leticia disse...

Era tipo um óleo vegetal, mas fedia a banha de porco.

Empesteava a casa. Tá certo que rendia quitutes fantásticos, pois ainda vivíamos na sombra da escravidão, no rastro de empregadas prestimosas e de mão cheia na cozinha.

Mas mamãe logo botou fim no festival de fritura.

Miguel Andrade disse...

letícia, que revolução na indústria da cozinha aconteceu, hein?

Refer disse...

Eu me lembro de pessoas cozinhando/fritando com banha de porco, mas não me lembro de ninguém usando a gordura de coco (havia outras no mercado, além da Carioca). Parece que em SPaulo a gordura de coco por alguma razão, "não pegou".

Agora, nos últimos tempos, estão tentando reabilitar a gordura de coco que, segundo "especialistas em estética", é saudável e ajuda a emagrecer (?!)

Miguel Andrade disse...

Refer, minha avó usava banha de porco... Com todo mundo falando mal!

Meu Deus! Na falta de novidades essa gente recicla qualquer bobagem.

Leticia disse...

Miguel, a banha de porco era o que havia. Todo mundo usava. Aliás, ela ainda é muito comum em lugares mais rurais. Faz até sentido, já que seus habitantes se mexem o dia inteiro.

Banha de porco em cidades maiores, onde a criatura só levanta obrigada, pra ir ao banheiro, não daria certo, não.

Miguel Andrade disse...

Letícia, e era uma coisa nojenta que minha avó guardava na geladeira. Quando ela morou com a gente, eu vivia tomando sustos.

Um dia tomei um copo do que achava ser suco de laranja. Era clara de ovos!!!

E ela não usava tupperweres. Tudo em pires, tigelinhas, saquinhos. Nojo acordar e se deparar com caranguejos gigantescos ali, na nossa cara.

Que Deus a tenha...

Leticia disse...

Os hábitos antigos...

Bem, quando eu era criança bebi um gole inteiro de água sanitária num copo desses de mocotó que era azul-marinho.

PS.: Não fui medicada, nada aconteceu de ruim. A não ser que hoje sou uma pessoa limpinha.

Leticia disse...

Só pra registrar a evolução darwinística das banhas:

Hoje comentei com meus pais e é o seguinte:

Minha mãe não lembra porque sempre viveu no Rio. Mas meu pai lembra bem a diferença, porque qdo. criança morava em SP (onde se usavam óleos vegetais de amendoim e de algodão - Indústrias Matarazzo) e ia visitar a avó no Rio (que usava banha de porco).

Minha mãe não lembra direito quando se mudou da banha de porco pra gordura de coco. Provavelmente foi quando sua família foi viver em casa separada - novos hábitos, mais mudernos.

Mas mamãe aderiu ao óleo vegetal quando casou, o que prova mais uma vez que a cultura superurbano-industrial de papai só lhe fez bem.

Miguel Andrade disse...

Letícia, internamente límpida! Hahaha

Me encanta sempre as histórias dos seus pais. Aliás, costumo as esperar aqui.

Leticia disse...

Meus pais são superpeculiares. São primos em segundo grau, pra começar.

Mas papai é culturalmente paulistano, e por conta do pai dele (imigrante) é cosmopolita à beça!

E mamãe é toda carioca, fruto direto do tempo colônia, dos escravos. Mas tem seu lado criativo-laborioso.

Um matrimônio que deu certo quando tinha tudo pra dar errado, tipo choque de culturas.

Miguel Andrade disse...

Letícia, meus avós eram de primeiro grau, namoro por correspondência coisa e tal!

Me espanta como teus pais lembram das coisas. Minha avó alegava não se lembrar de nada sempre.

Refer disse...

Bem lembrado Letícia, óleos vegetais de algodão e amendoim, e havia também o óleo de milho, mais caro.

Lembrei das marcas de óleo em lata Delícia e Salada (algodão e amendoim) da Matarazzo, e Mazola (de milho), da Cia. Refinadora de Milho.

Os óleos de algodão e amendoim vendiam também a granel, em empórios e feiras, com uma bomba instalada no tonel — vc levava o litro de vidro vazio qq e o cara enchia o litro até a boca. Mais barato e ecológico, né?

Miguel Andrade disse...

Refer, fiquei cabreiro por décadas com a tal margarina vegetal. De que vegetal?

Fui pesquisar e é de algodão e amendoim... Coisa mais sem graça.

Pelo mistério esperava algo mais escabroso.

Leticia disse...

Miguel, os casamentos eram uma tal falta de criatividade... Meus pais se conheciam desde pequenos, mas resolveram casar relativamente tarde pra época. Minha mãe com 28 e meu pai com 32.

E são de uma família que conta e reconta TUDO, o que tem lá suas vantagens.

Refer, meu pai comentou qu o óleo de amendoim era mais caro, porque o de algodão tinha um cheiro ruim. Vou perguntar a ele sobre essas bombas.

Miguel, margarina pra mim é feita de plástico. É só ver a cara daquilo quando frita.

Isso antes do misterioso advento do "creme vegetal".

Miguel Andrade disse...

Letícia, margarina é mega bizarro mesmo!

Creme vegetal e margarina são coisas distintas?

Leticia disse...

Não faço ideia, Miguel. Só olhando aquela tabelinha infernal da embalagem, em corpo 6.

Miguel Andrade disse...

Letícia, deve ser...

Maria Helena disse...

Eu amava essa lata, meu irmão guardava o time de botão em uma dessas... Mas desculpe, misógino por que? Misógino seria se fosse escrito hoje. Como diz uma escritora conhecida, é muito fácil pensar com a cabeça de hoje hoje. Pra pensarmos com pensamos hoje, os anos 40 precisaram pensar como os anos 40. Vamos fazer o exercício de imaginar no que nossos bisnetos vão achar de nossos anúncios? De qulquer forma, obrigada!

Miguel Andrade disse...

Maria, com certeza! Década de 40, visão da época, mas não deixa de ser misógino encarar a mulher como mera provedora da boa vida do marido. rs

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