domingo, 20 de fevereiro de 2011

Se há cabeça a mais na frente da câmera...

E não é fácil pra ninguém, pera se ficar fazendo doce pra emprego, mas... Apertinho no coração de ver Ray Milland, vencedor do Oscar por Farrapo Humano (The Lost Weekend, 1946 de Billy Wilder) se prestando a este blaxploitation.

A Coisa com Duas Cabeças (The Thing with Two Heads, 1972 de Lee Frost) é quase que uma sinopse filmada. Longe, bem longe, de ser um Acorrentados (The Defiant Ones, 1958 de Stanley Kramer) versão sci-fi trash, é mais um rascunho para o filme bem mais interessante que poderia ter sido.

Milland é um médico riquíssimo cuja doença degenerativa de qual é portador, o obriga a investir no ousado experimento de transplante de cabeças. Com gorilas foi um sucesso! Basta manter as cabeças juntas por 14 dias e depois retirar a antiga.

Só que ele morre rápido fazendo com que seus colegas corram para achar um doador de corpo. Pedem na prisão se algum condenado à pena capital não quer ser voluntário à ciência.

Roosevelt Grier (primo da Pam) é o brutamontes que topa, desconhecendo os reais propósitos. Sua intenção é apenas ganhar mais 15 dias para provar sua inocência.

A cirurgia é rápida e super bem sucedida. Mas peca num detalhe: O velho é um racista dos mais nojentos que se possa imaginar, daqueles que se recusam a dar emprego pelo tom da pele do candidato.

Passado o (breve) choque ao acordarem grudados, o prisioneiro tenta escapar levando junto um médico irmão racial, desprezado anteriormente pela cabeça (oca) caucasiana. E pronto!

O filme se esgota aí, nos primeiros 15 minutos. Poucos conflitos serão discutidos, ou servirão para alguma ironia com se poderia imaginar que surgiria entre a união das cabeças de um racista com um afrodescendente.

Chega a ser enfadonha a cena da fuga com dezenas de carros de polícia se espatifando durante uns 20 minutos ininterruptos. Se eles tiverem dinheiro pra comprar tantas viaturas a serem destruídas, poderiam ter investido um pouco a mais no roteirista.

Pena desperdiçarem premissa tão boa. Acaba e a gente fica com a sensação de que não exploraram nem 30% do que o tema poderia render.

[Ouvindo: Bongo Rock– The Incredible Bongo Band]

11 comentários:

Leticia disse...

Puxa vida! O cara com duas cabeças e... gordo!

Miguel Andrade disse...

Letícia, e "forte"! Hahaha

DAVI VALLERIO disse...

Pede pro Tim Burton refilmar,aposto que o Deep topa

Leticia disse...

Forte e pescoçudo!

Miguel Andrade disse...

Davi, pensei no Alec Baldwin para papel de magnata cientista louco.

Letícia, e hoje em dia se dedica Jesus! Republicano radical.

Leticia disse...

Quem diria Jesus, hein? Coitado! Refúgio e fortaleza de quem saiu das páginas de revista.

Miguel Andrade disse...

Letícia, em qualquer parte do planeta! Jesus salva mesmo...

Gastão disse...

Os roteiristas de Simpsons e Futurama devem ter gostado da ideia absurda. Você chegou de ver? (Homer+Sr Burns, Fry+Amy).

Miguel Andrade disse...

Gastão, não! Adoro Futurama!

Gastão disse...

Segundo a wikipedia: dos Simpsons, foi no segundo especial "Treehouse of horror", sendo o 7º episódio da 3ª temporada (segmento "Homer's nightmare"); do Futurama, foi no 7º episódio da 2ª temporada, "Put your head on my shoulder". Gosto de ver a "Mom", aquela megaempresária duas-caras, e o Bender em Futurama.

Miguel Andrade disse...

Gastón, a Mom é ótima! Toda senhorinha publicamente, e uma devassa na intimidade. haha!

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