sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Negócio da China no Brasil

A Folha de São Paulo hoje trazia matéria sobre a chegada da Livraria Cultura ao Rio de Janeiro numa loja de rua. E não há passo dado por essas grandes livrarias que não seja amplamente divulgado pela imprensa.

Seus proprietários (invariavelmente bem relacionados na sociedade) são tratados quase que como heróis. Aqueles que vingaram vendendo geladeira pra esquimó.

O segredinho do polichinelo mesmo, raramente se diz. Só sente na pela quem compra tais produtos, vai a estes estabelecimentos babilônicos, mas seu dinheiro não é proveniente de árvores.

Cobram assombrosos preços por algo que é isento de imposto! A lei criada exatamente para popularizar a leitura não beneficia a população, mas seus “heróicos” empresários.

Esta semana estive numa livraria aqui da cidade. Um livro da Taschen sobre cinema, editora conhecida por publicações cool e preços joinha, custava 200 e tralalá pratas!

No site da própria editora gringa ele custa U$29,99! Veja com seus próprios olhos clicando aqui. Tenha dó!

Não há impostos para livros mesmo importados! Como pode custar quase meio salário mínimo, senhores barões da literatura?

Dona Ministra da Cultura Ana de Hollanda, tem que rever isso aí! Não há sentido leis que favorecem apenas uma meia dúzia da elite.

Parafraseando o amigo Refer (que trabalha na aérea) em comentários passados deste blog, tem que ser muito burro pra ser traficante de drogas no Brasil. Vender livros é legal e você está livre pra fazer fortuna sem pagar nada de encargos públicos.

[Ouvindo: That's Motivation– David Bowie]

22 comentários:

Leticia disse...

Hão de te dizer: é o frétchi!

Agora me conta: qual o motivo para um livro didático (espanhol para crianças, 1a. série), editado aqui, ainda que por uma boa editora, mas com capa horrorosa e ilustrações idem, fininho de tudo, custar 74 paus?

Miguel Andrade disse...

Letícia, claro! O livro importado foi só um exemplo da mágica que rola nas livrarias.

Mas mesmo com o frete! Impossível custar mais de 100.

Eita livrinho didático caro!

Terla disse...

Miguel, o pior é que isso é pra meia dúzia. Tenho amigas que criaram uma editora de tanto baterem com a cara na porta. Os editores diziam que não tinham interesse nas teses de doutorado delas. Depois da editora criada, muitas pessoas procuraram elas com o mesmo sonho: publicar um livro (não ser donos de best-seller).
Elas fazem os livros, mas as grandes redes não aceitam ficar com os exemplares. É mole?

Jéssica disse...

Como estudante de Letras e um BOM montante de dinheiro investido (ou seria torrado?) neste propósito, concordo com tudo o que abordaste neste texto. Definitivamente os preços dos livros nas grandes livrarias, especialmente traduções, são abusivos, o que nos obriga a peregrinar pelos sebos da cidade em busca de opções mais viáveis.

Miguel Andrade disse...

Terla, tem essa. São por consignação. Risco ZERO das livrarias.

Jéssica, imagina se tivessem impostos?

Refer disse...

o setor é uma máfia dukaralho. è por isso que não existe livraria pequena nem média, elas são esmagadas pelos tubarões editores e livreiros, assim como as editoras fora do esquema.

boa parte das editoras existe para trabalhar no vermelho e lavar dinheiro; as relações entre livreiros, editoras, distribuidoras e certas áreas do governo são criminosas; cobrar 74 reais por um livro DIDÁTICO fuleiro é crime contra a economia popular — deviam ser todos enquadrados; a área do livro didático, então, é a mais viciada, se move totalmente à base de altas propinas.

não sei se uma CPI do livro resolveria, creio que não, mas pelo menos as pessoas ficariam conscientes do lamaçal que é o setor de livros no País.

A quem beneficia a isenção fiscal do livro? Basta ver as instalações nababescas das livrarias e os preços que elas praticam para ter certeza que não é o público.

Miguel Andrade disse...

Refer, e revolta que NINGUÉM fala sobre isso. Ou se fala é um ou outro.

A grande maioria das pessoas nem desconfia desse oba-oba.

Refer disse...

É ilusão achar que a imprensa vai falar por nós. A imprensa, como um todo, é venal. Assim como ela é governista porque recebe altas verbas publicitárias do governo, ela não vai bulir com os principais anunciantes dos seus cadernos culturais.

É normal que existam livrarias luxuosas e é justo que cobrem mais caro por seus produtos; mas a ação mafiosa das editoras/distribuidoras/livrarias impede a existência de casas simples, onde seria possível comprar os mesmos produtos a preços mais baixos. Nem todo mundo quer ou pode pagar pelo luxo.

No setor não existe mais a livre concorrência e somente isso justificaria a intervenção do Poder Público, assim como a intervenção na questão-escândalo do livro didático, onde a extorsão corre solta, pois as famílias dos alunos são obrigadas a comprar o livro X a preço imoral porque a editora Y pagou propinas para funcionários do Ministério da Educação que aprovou e adotou/recomendou aquele livro.

Mas a coisa mais perversa, mais distorcida, mais sem sentido, é a isenção fiscal que beneficia essa máfia e que existe com a justificativa cínica de beneficiar "o público".

DAVI VALLERIO disse...

GENTE,VAMOS MANDAR FECHAR O BRASIL E MANDAR TODO MUNDO EMBORA? É A UNICA SOLUÇÃO

Leticia disse...

Terla, suas amigas são famosas? Suas teses são sobre um tema bem ordinário? Não? Então não rola, tem de editar por conta própria mesmo.

E essa é a parte mais fácil! Duro mesmo é o que você falou, distribuir.

Das duas uma: ou elas entram para o formidável mundo do sambarilove, COBRAM dos autores para editar seus livros e entregam os exemplares quentinhos na linha "vire-se";

ou começam pelo principal trabalho de uma editora: networking pesado (incluindo o jabá) com livrarias e jornalistas de cadernos de cultura.

Quando estiverem bem escoladas no métier, aí é hora de chegar junto no MEC.

Miguel Andrade disse...

Refer, mais ou menos. Devemos sim nos indignar com esse jogo cada vez mais comum entre a imprensa e os donos do dinheiro.

E claro que luxo não faz mal a ninguém, mas quando eu trago um produto de lá pra casa, inexiste de onde ele veio. Não é um produto artesanal.

Aliás, luxo pra essa gente se resume a um fraco ar condicionado, meia dúzia de seguranças com cara de "humpf!" e atendentes vindos do suburbio, se achando contaminados pelo poder aquisitivo de quem frequenta as lojas, mesmo ganhando uma vergonha no fim do mês.

A bandalheira da isenção fiscal tem o agravante de ser quase nada divulgada. Como qualquer imposto no Brasil.

Somos roubados (no caso dos livros, literalmente) sem tomarmos conhecimento.

Davi, pilhados de corrupção e qualquer tipo de malandragem até o talo.

Letícia, aí! O caminho das rosas!

Refer disse...

Entenda Miguel: o drama é que inexistem as livrarias pequenas com os mesmos produtos, porém mais baratos.

Se existissem, nada contra que houvesse livrarias ricas e que as pessoas ESCOLHESSEM pagar mais caro pelo luxo de suas instalações ou pelo "status" (?) de consumir numa livraria de grife.

É uma demência essas mesmas livrarias carésimas cobrem preços iguais quando vendem livros pela internet. Comprando pela internet, o cliente não desfruta do conforto, do ar condicionado, da segurança etc., custos que eventualmente estariam "embutidos" no valor dos produtos.

Leticia disse...

Meninos, tenho cá comigo que livrarias mais simples não vendem necessariamente produtos mais baratos. Não têm poder de negociação como as grandes. Por isso acabaram.

Refer disse...

Letícia,

Esse é exatamente UM dos esquemas que a 'máfia do livro' usa para sufocar as livrarias pequenas: todas as livrarias (grandes e pequenas) recebem o livro com o MESMO PREÇO na nota fiscal. Na duplicata, as redes (as grandes) ganham X de desconto e as pequenas não recebem nenhum.

Qualquer editora que queira colocar seus produtos nas redes é obrigada a dar o desconto X, que quebra a possíbilidade de existir concorrência. As editoras já "praticam" os preços levando em conta o desconto que vai dar para as redes — isso provoca a elevação dos preços dos livros na origem, é um grave fator inflacionário.

Mal comparando, é como o promotor de show que chuta o preço do ingresso lá no alto por causa da imposição do meio ingresso.

Miguel Andrade disse...

Refer, mas eu entendi! A nós consumidores, pouco importa se a loja é grande ou pequena.

Importa que eles estão ficando a no$$a parte.

Letícia, IIIIISSO! Mesmo com DVDs, os que custam 12 pratas nos grandes magazines, as pequenas lojas vendem por 40!

Alegam que não compram em quantidades como os gigantes. Cá pra nós, eles devem conseguir seus produtos nas redes de varejo e revendem aos desavisados pelo valor astronômico que bem entendem.

Refer, belo círculo vicioso!

Leticia disse...

Refer, exactly.

Miguel, que se há de fazer? Com DVDs eu tenho certo receio, mas livros? Mando ver nos sebos.

Às vezes é coisa de um mês entre o lançamento e ele aparecer por dois terços do preço no sebo.

Ou então, dependendo do título, espero o best-sellerismo dele passar. Daí entra na bacia das almas das promoções e eu, nhac!

Miguel Andrade disse...

Letícia, ah, eu fuço a qualidade do disco mesmo dos novos. E peço notinha EVER.

Aliás, ontem fui numa das lojas do cara da matéria. Encontrei o tal livro da Taschen custando também 299,99!

Trouxe um boxe da Bette Davis e o livro do Inácio.

Leticia disse...

Inácio who?

Lucas disse...

Qual boxe da Bette Davis você comprou?

Anônimo disse...

falando em Livrarias veja isso:
http://www.universohq.com/quadrinhos/2011/n07022011_03.cfm

Pri[s] disse...

Essa história é longaaaaaa!

Assisti uma palestra sobre produção editorial em que a palestrante disse que "apenas livros didáticos" eram livres de impostos. Várias pessoas a questionaram por isso mas ela continuou afirmando que não.

A cara de pau dessas pessoas me fascina/assusta/indigna ao mesmo tempo!

Algo parecido acontece com o teatro. Peças que são COMPLETAMENTE pagas com dinheiro de patrocínio (dinheiro público, que deveria ser revertido em impostos) cobram 150 reais!!!!!!!

Miguel Andrade disse...

Letícia, Araújo! Aqueeeele da coleção Aplauso.

Anônimo, aquele que vem com A Carta, Vaidosa, Lágrimas Amargas e Vitória Amarga.

Já tinha A Carta de uma daquelas distribuidoras picaretinhas, mas o da Warner vem com final alternativo. Lamentável não vir com a dublagem da Ida Gomes, coisa que a outra edição vinha...

Mas eu esqueci isso e dei ele. :(

Já tinha Vitória Amarga também, mas os outros dois, originais, ainda não.

Anônimo, epa! Eu quero isso!

Pris, não! Mesmo para importados, é livre.

verdade, o lance do teatro também. Do mesmo jeito que é absurdo a meia entrada sair do bolso do produtor, não do governo.

Fiz um post já faz um tempinho, sobre DVDs carérrimos patrocinados pela Petrobrás.

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