sexta-feira, 30 de abril de 2010

Final secreto de Roque Santeiro

Nesse trecho do documentário A Negação do Brasil (2000, de Joel Zito Araújo) o ator Tony Tornado faz a revelação bombástica de que gravaram um terceiro final para a Viúva Porcina. Bombástica para quem tem mais de 30 e tralalá anos de idade.

Jovenzinhos não vão ter nem noção do que foi esperar o último capítulo da novela pra saber com quem que "aquela que era sem nunca ter sido" viveria feliz para sempre. Sinhozinho Malta ou Roque Santeiro?

Noticiaram até dizer chega que foram gravados os dois finais. Logo no próximo domingo, o Fantástico exibiu o não aproveitado.

Eis que depois de tanto tempo vem o Tornadão (que interpretava o fiel capataz Rodésio) revelar a existência de uma terceira opção que, embora gravada, não só foi desprezada como continuou em segredo. Seria o desfecho favorito do autor Dias Gomes.

Assista ao vídeo.

[Ouvindo: Johnny Guitar - Peggy Lee]

Pausa para nossos comerciais

Camiseta Hering é Juventude Sempre.

Coisa mais 80’s reviver os 50’s! Marilyn Monroe e James Dean estamparam de tudo, até camiseta.

Devo ter ido num punhado de bailinho temático. Mas aquelas coisas ingênuas onde as meninas entravam com prato de doce e os meninos com refrigerantes.

Estranho que as referências no cinema norte americano da época são muito mais fortes à década de 40. Pelo menos foram mais marcantes.

E a dona Hering depois desencanou de fazer moda. Deve ter saído bem mais no lucro vendendo camisetas lisas.

Aquelas que já amamos alguma vez na vida dando-lhe a alcunha de clássicas. E descartáveis!

[Ouvindo: Anastacia - Monna Bell]

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Quase bom

A farta e gratuita exibição de peitinhos em Nuda Per Satana (1977, de Luigi Batzella) esconde o ótimo argumento que merecia ser recontado. Filosofia com história de fantasma, embora o roteiro não consiga ir a fundo nem em uma coisa nem em outra.

Mas dá pra se assistir, principalmente com os incontáveis momentos de humor involuntário. Coisas como a famosa (se é que algo desse filme possa ser chamado de famoso) sequência em que a mocinha cai (seminua, claro!) numa teia de aranha gigante.

Teia de barbante e aranha estática de pelúcia... E dá-lhe gritaria e seios à mostra!

Num universo justo, refilmagens seriam obrigatórias apenas para filmes que bateram na trave. Aquelas produções com ideias muito boas desperdiçadas no passado por falta de recursos técnicos e financeiros.

Não sei se as plateias abobalhadas de agora, esperando tudo mastigadinho, iriam se interessar pelo mote mais cabeça. Mas também, se for pra contar com a burrice alheia, a gente nem deveria sair mais da cama...

[Ouvindo: Don't Stop - Jazzystics & Cassandra Beck]

Karaokê pra quê?

E nipófilo que sou, não há o que venha do Japão que eu não curta. De filme de monstro a balinha azeda.

Ou quase isso, porque nunca vi graça alguma em karaokê! Acho irritante estar num ambiente ouvindo música ruim, mesmo entre amigos.

Menos mal que os estabelecimentos deles que prestam este serviço têm áreas privadas. Basta a gente recusar o convite dos amigos e ponto!

Lugares brasileiros com karaokê expõem todos os clientes a esse constrangimento. Sorte que a modinha não pegou pra valer aqui.

Pensando bem, tem outra coisa japonesa que eu detesto. Aquele arroz empapado e com gosto de nada!

Se alguém me falasse que aquilo faz parte da filosofia milenar deles eu não discutiria. Como lembrança cármica de que para tudo fabuloso nessa vida há muito compensação desagradável.

Voltando ao karaokê, Be My Baby da Ellie Greenwich deve ser um dos top hits eternos. Ouça no player abaixo a versão na voz da belezinha Mieko Hirota.
Mieko Hirota tem esse nome de filha de Baby do Brasil, mas é uma grande dama da canção local. Também conhecida como 弘田三枝子, ou simplesmente Mico.

As imagens são um oferecimento Pepper Mint Kiss Kiss

[Ouvindo: Still on the Road - Rosemary Clooney]

Mistério Revelado!

E por essa você não esperava, hein? Por trás da máscara do Cavaleiro das Trevas se esconde o magnata Bruce Wayne!!!

Creio que ainda não inventaram seriado com fotos promocionais mais divertidas do que o Batman 60’s. Volta e meia a gente encontra uma.

Um oferecimento Mr. Pinky 2.0

Veja também:
Santa patota
Garoto maravilha



[Ouvindo: Anata ga daisuki yo - Miki Obata]

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Siamesas do pop

Procurando música excêntrica? Então você PRECISA conhecer a coletânea Siamese Soul Thai Pop Spectacular!!!

Pop da Tailândia, mas poderia ser de jupter que estaria O.K. Uma viagem, bicho!

Se tivesse tido uma distribuição na era do fumacê lascado, se é que você me entende, nomes como Ubon Pattana teriam dominado o mundo. Psicodelia em estado máximo.

Na empolgação, vale conhecer também o rock 60’s do Camboja. Aquele mesmo, massacrado pelo ditador local.

[Ouvindo: Laek Laow Deum Nom - Sorn Petch Pinyo]

Na crista da onda

Uau! Moldes para a amiga dona de casa fazer na modista do bairro seu próprio vestido igual ao da Joan Crawford!

E um carão é um carão e ela sabia disso! Tanto que serviu de espelho para mulheres de inúmeras gerações.

De mocinha em melodramas na fase muda do cinema, a matrona que sabe o que quer no amadurecer da vida. Crawford foi um dos casos raros de sobreviventes na transição de Hollywood para o sonoro.

Pra aparecer na capa do Jornal da Mulher (suplemento do Jornal das Moças) na década de 50, dá pra ter uma idéia de sua força no Star System. Outra coisa, lembrada pela “rival” Bette Davis no documentário “Bette Davis: A Basically Benevolent Volcano”, é que “se nos 50 seus filmes eram ruins, os da Joan Crawford eram muito piores!”.

Mas a prova mais espantosa de sua durabilidade artística é descobrir que Mamie Van Doren (hoje quase octogenária) foi batizada como Joan em homenagem à atriz. Ela e mais zilhões de menininhas nascidas pouco antes da grande depressão.

E exatamente por isso tudo que ser citada no episódio 5 da primeira temporada da série Mad Men foi brilhante! Transcorrida em 1961, o programa discute o desmoronamento do sonho americano.

Na cena, Don Draper e sua esposa Betty comparam o livro The Best of Everything com a versão que Hollywood produziu em 59, no Brasil chamada Sob o Signo do Sexo. A mulher acaba se declarando chocada com a aparência da atriz, que já foi uma das mulheres mais lindas do cinema.

“Suas sobrancelhas parecem duas taturanas!”. Acaba por desejar jamais envelhecer mal como Joan Crawford.

Veja também:
Joan Crawford por Joan Crawford
Felicidade é...
FIGHT! Joan Crawford Vs Marilyn Monroe


[Ouvindo: De Hombre a Hombre – Gotan project]

As Certinhas do La Dolce

Julie Christie
Dengosa.


[Ouvindo: A Beautiful Mine – E.M. Hayes]

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O incrível hunk


A fonte da palavra Hunk lembra bastante a da série Hulk, o que já dá pra entender direitinho em que época o filme foi produzido. E ótima a definição do Michaelis para hunk:
Nos idos do boogie nights (últimos suspiros da película, antes do videotape revolucionar a indústria pornográfica) não se podia acusar os filmes de terem títulos mentirosos. Não poderia haver palavra mais justa para esta rara incursão de Rex Morgan na área.

Como a maioria desse povo desinibido, também é conhecido por outro nome, Buck Hayes. Apareceu em várias revistas de nu na década de 80 e tomou um belo chá de sumiço.

Acha-se pela web suas fotos literalmente a dar com um pau, mas nada da biografia do moço. Não que vá mudar alguma coisa na minha vida saber se pelo menos ele ainda está entre os viventes...

Lembrou-me do nosso Jece Valadão numa entrevista pouco antes de falecer. A jornalista lhe perguntou como gostaria de ser lembrado: “Não gostaria de ser lembrado! Porque sinceramente, não vale a pena!”.

Veja também:
O Crepúsculo de Jeff Stryker
Encontro dos lendários Joey Stefano e Jon Vincent
A grande chance de Bill Cable
Memorável Jack Wrangler
Al Parkers para todos os gostos
O que terá acontecido a Germano Vezzani?


Destroçando ilusões

Clique nessa imagem para vê-la em resolução bem maior. Observe bem os detalhes!

É tudo mentirinha! Dá pra ver até que o (antes) apavorante Macaco Voador está de luvinha.

E a Bruxa Má do Leste/Oeste é só uma atriz muito parecida com a Regina Casé dos tempos de Tina Peper. Aliás, ajudou na nossa imaginação que Margaret Hamilton não fez nada mais relevante desde 1939.

Só fui vê-la em outro filme estes dias, já adulto. Tava assistindo Dizem Que é Pecado (People Will Talk, 1951), comediazinha do Cary Grant, e de repente: “Ah lá a bruxa!”.

Altas definições são um veneno para quebrar a magia de que tudo é real. Não apenas em filmes fantásticos como O Mágico de Oz (Wizard of Oz, 1939) mas em qualquer clássico com seu Technicolor estalando de novo.

Sensação semelhante eu tive ao assistir Os Homens Preferem As Loiras (Gentlemen Prefer Blondes, 1953) pela primeira vez em DVD. Isso após anos e anos vendo e revendo meu surrado VHS.

As luvas longas que Marilyn Monroe usa no famoso número “Diamonds are a Girl's Best Friend” não são inteiriças!!! E quem as usava era com certeza uma fabulosa garota loira de carne e osso!

Veja também:
O lado negro de Oz
Nebutal, pancadaria e o arco-íris


[Ouvindo: Le Ciel Dans Une Chambre - Carla Bruni]

Ladies and gentlemen:

Daqueles garotos ordinários que tem de tudo na vida e de mão beijada... Menos amor!

[Ouvindo: Chemical Drummer Boy – Cheekyboy]

sábado, 24 de abril de 2010

Teu sorriso é um colar de marfim

Não poderia ser melhor apropriada a capa para esta edição 60s da revista Manequim, fazendo escândalo com mais páginas coloridas. Minha Nossa Senhora da Padronagem!

E faz tempo que kilt não entra na moda. Pelo que me lembro, a última vez foi nos anos 90, quando as garotinhas imitavam o figurino da Andréa Beltrão na novela A Viagem.

Era pavoroso! Dezenas de garotas andando pela rua de saia xadrez e meião pra cima do joelho.

Como se estivéssemos dentro de um filme expressionista que se passa no futuro. Personalidade cadê?

E o logo da Abril parecia a arvore que pega fogo em Os Dez Mandamentos! Engraçado que depois de estilizado, não parece ter sofrido qualquer outra mudança radical em anos.

Um dos primeiros logos que aprendi a reconhecer na infância. Acho que como qualquer criança que gostava de desenhar e quando crescesse queria trabalhar com o Maurício de Souza.

No site da Mundo Estranho há a explicação tanto para o nome da editora quanto para a escolha do desenho. Segundo o fundador Victor Civita, Abril porque é o mês da primavera na Europa, e a árvore como símbolo da prosperidade.

[Ouvindo: Why Don't You Do Right - Peggy Lee & Benny Goodman]

O que vale é a intenção

Falsa modéstia pra quê? Jonh Waters já assumiu que era ele por trás da câmera de seus primeiros filmes e que ele não entendia NADA de técnica cinematográfica.

Munia-se com a semi profissional 16 mm, juntava a galera, e voilá! Nem confiança para plano, contra plano, close americano, travelling, estabilização de imagem, cuidados mínimos com iluminação...

Olha! É aquela coisa pra quem assistiu seus filmes produzidos até 1977: Não tem quem diga que era um autodidata.

Aham...

Um oferecimento Dr.Insermini

Veja também:
Confiar nas amizades é tudo!
Visitando a casa de John Waters
Dia de faxina


[Ouvindo: Let's Be Adult - Pizzicato Five]

Atriz à beira de um ataque de nervos

De temperamento considerado pelos colegas como dificílimo, Sean Young pode ser considerada a “erradinha do La Dolce” por merecimento. “Um vulcão, capaz de explosões inesperadas e violentas”, segundo o guia Astros e Estrelas edição 1990.

Bailarina, modelo bem sucedida, destacou-se no cinema logo em um de seus primeiros trabalhos, Blade Runner (1982) de Ridley Scott. Será lembrada na posteridade como a enigmática androide.

Sua carreira seguiu nos anos 80 entre filmes medianos a bombas tremendas. Conseguiu aparecer em alguns hits como Sem Saída (No Way Out, 1987) e Um Toque de infidelidade (Cousins, 1989).

A alegria dos tablóides e revistas de fofocas viria a partir de 1988, quando participou de The Boost ao lado de James Wood. Ironicamente, no Brasil o filme ganhou o título “Tensão”.

Young e Wood apaixonaram-se e tiveram um rápido romance, que aparentemente, parecia ser só outra história hollywoodiana. Houve quem comenta-se que o amor ajudou a atriz a largar as bebidas alcoólicas.

O ruído viria quando ele, pouco depois de se casar com uma antiga namoradinha, processou Sean Young por “violência psicológica”. Na acusação, estava o envio de fotos e ilustrações contendo animais e pessoas mortas.

Isso além de danificar propriedades dele além de deixar uma boneca mutilada em sua porta. Tudo para confirmar os boatos de sua personalidade imprevisível e agressiva.

Na época especulou-se que ela havia namorado com o roteirista James Dearden. O turbulento romance teria sido fonte de inspiração para Dearden escrever Atração Fatal (Fatal Attraction, 1987), aquele filme em que Glenn Close cozinha até um coelhinho indefeso após ser abandonada.

Se a indústria cinematográfica não é bolinho para moças que andam na linha, imagina para uma pessoa com péssima fama? É apontado a isso ela ter perdido o papel em filmes relevantes como Dick Trace (1990) e Batman (1989).

A biografia do IMDB registra que ainda tentou participar de Batman, O Retorno (Batman Returns, 1992). Teria chegado a invadir os estúdios da Warner atrás de Tim Burton e Michael Keaton vestida de Mulher Gato!

Em 2008 internou-se por vontade própria numa clínica de reabilitação para alcoólatras. Hoje continua em atividade, aparecendo em seriados famosos como CSI e filmes pouco expressivos.

Veja também:
Galã nas mãos de Deus
Star 80: A coelhinha assassinada


sexta-feira, 23 de abril de 2010

Tim Burton em ordem de preferência

13° - Planeta dos Macacos (Planet of the Apes, 2001)

12° - Batman (Batman, 1989)

11° - A Grande Aventura de Pee-wee Hermann (Pee-wee's Big Adventure, 1985)

10° - Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet(Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street, 2007)

09° - Peixe Grande E Suas Histórias Maravilhosas (Big Fish, 2003)

08° - A Noiva Cadáver (Corpse Bride, 2005)

07° - A Fantástica Fábrica de Chocolate (Charlie and the Chocolate Factory, 2005)

06° - A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça (Sleepy Hollow, 1999)

05° - Marte Ataca! (Mars Attacks!, 1996)

04° - Os Fantasmas Se Divertem (Beetle Juice, 1988)

03° - Edward Mãos de Tesoura (Edward Scissorhands, 1990)

02° - Batman, O Retorno (Batman Returns, 1992)

01° - Ed Wood (Ed Wood 1994)

Tenho horror a essas listas que pululam em blogs com os melhores e piores filmes. Minha pretensão não chega ao ponto de me achar capaz de colocar uma obra antes ou depois da outra.

E encontro tanta bobagem sendo dita. Principalmente com filmes do Tim Burton, recheados de referências e subtextos que raramente são reconhecidos.

Burton é um dos meus cineastas (vivos) favoritos e um dos maiores críticos sociais do cinema norte americano. Portanto, seus 13 longas metragens são todos queridos e os revejo volta e meia quando me dá vontade.

Essa ordem em que os coloquei é pessoal e meramente afetiva. Quase que os filmes que mais me tocaram ao invés de "os que prestam ou não prestam".

Talvez a colocação de Planeta dos Macacos é a que faça mais jus pela decepção. Refilmagem, o material original de 1969 é incontáveis vezes superior.

Coincidentemente, quase todas as últimas posições ficaram com trabalhos recentes. Coloco a culpa na minha ansiedade quando os assisti.

Poucas vezes não me decepcionei com um filme que queria muito ver. Com Sweeney Todd tenho certeza que foi isso, e precisa ser revisto com mais calma.

Estou às vésperas de assistir Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, 2010). Tentando não esperar nada demais...

Mas pelo material promocional tenho minhas desconfianças. Deve ficar entre Sweeney Todd e As Grandes Aventuras de Pee-wee Hermann.

Veja também:
Nepotismo Burtoniano
Premiere, março de 1997
Todos os cameos de Almodóvar
A razão do meu afeto


[Ouvindo: Chapel of Love - The Dixie Cups]

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