quarta-feira, 31 de março de 2010

Ben-Hur: Será que ele é?

Entre as lendas envolvendo Ben-Hur (1959) está o caso de amor entre o protagonista e o vilão Messala. Amantes no passado, a rejeição do judeu seria o estopim para toda vingança!

Tudo não passaria de uma baita dor de cotovelo... E seria resolvidinho ali, numa fatal corrida de bigas!

Grande ganhador de 11 Oscars, o filme foi baseado no romance de Lew Wallace, e teve entre seus roteiristas o autor Gore Vidal. E foi ele quem esclareceu o diz-que-me-diz no documentário The Celluloid Closet de 1995.


SIM! Realmente os dois namoraram no passado e a ideia teria partido do diretor William Wyler.

Wyler era tão entusiasta com o tema gay que seu próximo filme seria Infâmia (The Children's Hour, 1961), refilmagem de seu próprio trabalho These Three de 1936. Agora com a liberalidade 60’s, falaria abertamente sobre as professorinhas acusadas de serem namoradas, embora uma realmente fosse lésbica.

Voltando a Ben-Hur, todos os envolvidos teriam adorado a ideia, que daria ar contemporâneo à história. Mas se depararam com um empecilho: Charlton Heston!

O astro era conhecido como um dos mais conservadores de Hollywood. Tanto que este era um dos motivos para ser escalado a participar de filmes bíblicos.

A solução encontrada foi não contar pra ele! Apenas Stephen Boyd, Oscarizado como ator coadjuvante pelo seu Messala, sabia do babado literal.

Reveja a sequência do reencontro dos dois velhos amigos sobre esta ótica, e veja como faz sentido!

As interpretações são bem distintas. Boyd chega a fazer aquela técnica clássica dos romances, que consiste em ficar com a boca entreaberta com os olhar direcionado à boca da outra pessoa.

Aos 2:35 do vídeo, repare também como Messala chega a acariciar o antebraço de Ben-Hur! "Down eros up mars!"

Veja também:
Então rosebud era o trenó?
Tudo sobre Eve



Pausa para nossos comerciais

Que lindos cabelos ela tem! – Mulsified

Olha a Veronica Lake servindo de garota propaganda até em anuncio no Brasil, essa terra de gente morena de cabelos encaracoladinhos! Mas a amiga Dona de casa pode sonhar em ter os cabelos dela!

Afinal, qual a novidade da venda de sonhos que Hollywood promove mundo afora há décadas? Lake pode ter tido carreira curta, mas serviu lindamente para promover cosméticos.

Principalmente graças ao picumã, promovedora do penteado Peekaboo, super em voga na década de 40. Aliás, 9 entre 10 loiras geladas de filmes noir eram adeptas do peekaboo!

E cá pra nós, quer coisa mais pintosa que saber o nome desse penteado? Daquelas coisas que nem todos os que são sabem, mas só os que sabem são!

Coisas belas e sujas

Como nada, nada, nada pode ser 100% puro! Catherine Deneuve, a dona de casa de imaginação fértil, tenta equilibrar as coisas em A Bela da Tarde (Belle de jour, 1967).

Na merda e com classe! Que 2 Girls 1 Cup o quê?

Buñuel devia ter como opção de protagonista Deneuve ou Deneuve. Impossível outra conseguir tanto contraste entre o que é agradável aos olhos com o que nos repugna.

[Ouvindo: Ciriema – Irmãs Castro]

terça-feira, 30 de março de 2010

Da escola de Dona Flor

Baseado num conto de Clarice Lispector, O Corpo, de José Antônio Garcia, é um dos filmes mais divertidos dos anos 90. Se tivesse tido uma distribuição descente seria bem mais lembrado.

Xavier (Antônio Fagundes) é um farmacêutico que vive maritalmente com duas mulheres de personalidades distintas. A metida a poetisa Carmen (Marieta Severo) e a simplória Bia (Cláudia Jimenez) vivem em perfeita harmonia dividindo seu homem em cama e mesa.

Os três frequentam juntinhos até a igreja aos domingos, sob os olhares reprovadores da sociedade. “O quê que tem? O que os todos fazem às escondidas, eu faço às claras!” defende-se o bígamo, frase usada até no material promocional.

Vivem na santa paz até que as duas esposas descobrem que não são suficientes! O marido tem uma amante, a bailarina de cabaré Monique (Carla Camurati, musa oficial do cineasta).

O filme é graciosamente bem feito, cheio de frases espirituosas. Lembro bem da cena de sexo entre Xavier e Monique, quando ele revela adorar “Mulher que fala palavrão”, e as duas donas de casa chorando ao som de Cauby Peixoto “O único que lhes entende”.

Mas cravado a ferro e fogo na minha memória a cena musical da Lala Deheinzelin! O refrão da música era mais ou menos assim: “Eu quero um homem mau.... Que me bata com o paaaaaaaaaaaau!”.

Garcia pretendia dedicar uma trilogia a Clarice Lispector. O próximo seria Ele Me Bebeu com Beth Faria e Brenda Blethyn.

O Corpo ficou pronto em 1991, mas esperou anos pra ser lançado nos cinemas, esperando o bafafá do fim da Embrafilme se resolver. Em 1996 entrou em cartaz por uma semana no Espaço Unibanco de São Paulo, na época, Conjunto Banco Nacional.

Saiu em VHS pelo Grupo Paris Filmes, aquele da Pousada do Sandi. Agora o DVD só pode ser encontrado no Mercado Livre como “raríssimo”.

[Ouvindo: Forse Basta - Ennio Morricone]

Hora da bóia

Momento Globo Repórter! A alimentação saudável (?) da Marlene Dietrich seria o segredo de sua longevidade?

A atriz faleceu em 1992, aos 91 anos, e teve carreira bem longa como cantora após abandonar o cinema. Preservou a aura de deusa mesmo em atividade.

Analisando a foto (de 1938!) dá pra reconhecer peixe grelhado e um aspargo ali no canto. As bolinhas são grandes demais para serem alcaparras, estão mais pra azeitonas...

Veja também:
Opinião de Dietrich sobre Madonna
Relendo Dietrich


[Ouvindo: Lo Dudo - Trio Los Panchos]

Marmelada de banana

E nem só de Dita Von Teese vive o mundo das pinups 2010! Masuimi Max está aí, literalmente linda loura e japonesa, que não me deixa mentir.

Das chiques, que interessam a grandes publicações internacionais, óbvio! Porque mulher sem roupa é o que menos nos falta.

E garota bonita e macaco (aliás, gorila!) são coisas que combinam bem. Símbolo dos mais selvagens instintos primatas desde que Fay Wray foi parar numa certa ilha da caveira.

Acesse todas as fotos do ensaio no site da Bizarre Magazine. Estão bem boas, viu?

Veja também:
Garota 1 X 0 Gorila
Macaco vê, macaco quer
Futurologia estética
O planeta das beldades


[Ouvindo: Sou Uma Estranha – Irmãs Castro]

segunda-feira, 29 de março de 2010

Olavo Bilac no mundo da sacanagem

Rita Rosa, camponesa,
Tendo no dedo um tumor,
Foi consultar com tristeza
Padre Jacinto Prior.

O Padre, com gravidade
De um verdadeiro doutor,
Diz: "A sua enfermidade
Tem um remédio: o calor...

Traga o dedo sempre quente...
Sempre com muito calor...
E há-de ver que, finalmente,
Rebentará o tumor!"

Passa um dia. Volta a Rita,
Bela e cheia de rubor...
E, na alegria que a agita,
Cai aos pés do confessor:

"Meu padre! estou tão contente!...
Que grande coisa o calor!
Pus o dedo em lugar quente...
E rebentou o tumor..."

E o padre: "É feliz, menina!
Eu também tenho um tumor...
Tão grande, que me alucina,
Que me alucina de dor...

"Ó padre! mostre o dedo,
(Diz a Rita) por favor!
Mostre! porque há-de ter medo
De lhe aplicar o calor?

Deixe ver! eu sou tão quente!....
Que dedo grande! que horror!
Ai! padre... vá... lentamente...
Vá gozando... do calor...

Parabéns... padre Jacinto!
Eu... logo... vi... que o calor...
Parabéns, padre... Já sinto
Que rebentou o tumor..."


***


Para quem matou as aulas de EMC, Olavo Bilac (1865-1918) é um dos maiores vultos da intelectualidade brasileira além de ativista na consolidação da República. Membro fundador da Academia Brasileira de Letras, em 1907 foi eleito pela revista Fon-fon como o “Príncipe dos Poetas”.

Ok, apelei pra Wikipédia! Lembrava-me que Olavo Bilac havia composto um hino, e por isso é tão citado na escola, mas qual?

O Hino à Bandeira! Aquele do “Salve lindo pendão da esperança!...”.

E mesmo ocupadíssimo na intelectualidade, achava um tempinho para uma boa libertinagem e com a métrica poética em dia! Tem mais aqui.

[Ouvindo: Sugarcube - Yo La Tengo]

Não se pode ter tudo na vida

Kinder Surprise
Querer, mas querer mesmo, eu queria era um coelhinho equilibrista. Mas como hoje o dia não está bolinho, me contentei com o quebra-cabeça!

Dia tão aborrecido que por um triz pensei não estar capacitado a colocar todas as peças em seus devidos lugares. Até fiquei mais alegre vendo que forma um gato kitsh, como os daquelas folhinhas...

Kinder Ovo é assim mesmo! Quanto pior a surpresa, mais gostoso está o chocolate, pra compensar os três mangos desperdiçados.

[Ouvindo: Little white lies- Alvino Rey]

Da TV ao chão da sala

Sendo MUITO sincero: Eu não sabia o que era A Família Adams até aparecer aquele filme de Barry Sonnenfeld em 1991. Santa ignorância que me fazia achar que se tratava de genérico de Os Monstros.

Tem lógica, viu? O SBT/TVS passava Os Monstros, mesmo branco e preto, com a imagem toda rabiscada, no horário nobre dos anos 80, plena era da popularização da TV a cores.

Mas nos EUA deve ter sido diferente e o Hilly Blue até guardou o jogo de tabuleiro oficial da série! Colecionador do gênero “game baseado em série de TV”, ele analisa (em inglês) o produto no seu novo blog.

E pelo jeito é tipo o mais maquiavélico objetivo do War: Derrotar todos os exércitos de tal cor. APENAS este objetivo!

Veja também:
Fabuloso jogo da Hammer
Jogo da Warner Bros.


[Ouvindo: Resurreccion Del Angel - Astor Piazzolla]

domingo, 28 de março de 2010

Melhor conselho de sogra

“Quando a bebida entra num casamento, é que tem problema aqui. Bem aqui!” (bate três vezes na cama).

Primeiro round: Maggie, A Gata, 0, Big Momma, 1. E a platéia vai ao delírio!

[Ouvindo: Telepathy - Pizzicato Five]

sábado, 27 de março de 2010

Horror ao curry

Ah, claro! Desconfiava que nem só de musicais românticos simplistas vivia o cinema de Bollywood.

Medo, pavor e luxúria é com a Veerana, a vampira tão vingativa quanto cheia de curvas! E o Mahakaal quase nos faz crer que em Bombaim há uma Elm Street.
E eu vejo uma distribuidora de DVDs como a Mondo Macabro e da uma pontinha de inveja dos gringos. Se bem que as que tivemos parecida durou muito pouco.

Veja também:
A grande ceifadora


[Ouvindo: L'etè Dernier (Lunero-Calibi)- Catherine Spaak]

Ladies and gentlemen:

Ele é assistido pela TV por milhares de pessoas em todo planeta desde o dia em que nasceu. Mas ele não sabe.

[Ouvindo: Woman Left Lonely – Cat Power]

Naqueles dias

A lá a Cheetara, aquela que dá piruetas de maiozinho de oncinha, bancando a politicamente correta! E ainda revela provável ascendência gaúcha!

Natural que “minorias” lembrem da peculiaridade de se sentirem oprimidas a vida toda para clamarem pelo que quer que seja! Diria até que é justo, justíssimo...

[Ouvindo: Laugh Track - Venus on Earth]

sexta-feira, 26 de março de 2010

Para acompanhar coquetéis e convescotes

E este disco, com a capa fabulosamente lounge, me deixou com a pulga atrás da orelha. De onde é que eu conheço Alvino Rey?

Como a busca do La Dolce não mente jamais, foi fácil! Ele é o compositor do tema de A Mansão do Morcego (The Bat, 1959) com Vincet Price e Agnes Moorehead, incluso na coletânea Dolce Hits Vol. 1!

Ok! Pode ser que isto não o anime muito a querer conhecer mais do auto intitulado "King of the Guitar", mas vale sim o disco inteiro!

Tão honesto que o som tem exatamente a alma da capa, excelente, com uma taça de Martine! No Kellys Lounge Soundz tem!

[Ouvindo: Chailla Mera Chailla (Sad) – Lata Mangeshkar]

Gente pobre, feia e que mora longe

Rod Stewart.


[Ouvindo: Si Muore d'Amore – Ennio Morricone]

Todos os cameos de Almodóvar

Pedro Almodóvar fez pontualmente pequenas participações em seus filmes ate 1987. Hábito abandonado assim que sua assinatura ficou clara no aprimoramento do estilo.

Diferente das famosas aparições de Alfred Hitchcock, nem sempre o infant terrible do cinema espanhol foi discreto. Algumas vezes teve texto e chegou até a cantar uma de suas músicas pop.

1980 - Pepi, Luci, Bom Y Otras Chicas Del Montón – Estreando na direção de longas em meio ao caos técnico e financeiro, aparece como o mestre de cerimônias do concurso para eleger o maior pênis de uma festa.

1982 – Labirinto de Paixões (Laberinto de Pasiones) – Ao lado do parceiro McNamara, canta Suck It to Me. Arrasa com as pernas à mostra numa minissaia de couro.

1983 – Maus Hábitos (Entre Tinieblas) – A mais hitchcokiana de suas aparições. Mas dá pra reconhecer pelas bochechas e o cabelo muito negro e desgrenhado.

1984 – Que Fiz Eu Para Merecer Isto? (¿Qué he hecho yo para merecer esto!!) – Num programa de TV, novamente ao lado de McNamara (vestido de Scarlett O'Hara loira), dubla a canção popular La Bién Paga.

1986 – Matador – O temperamental estilista Francisco Montesinos! A crítica da The New Yorker, Pauline Kael, descreve sua participação como “um gênio louco da alta-costura que assanha o cabelo-carneirinho”.

1987 – A Lei do Desejo (La ley Del Deseo) – Bem comportado, embora com camisa espalhafatosa, balconista de loja de material de construção.

2004 – A Má Educação (La Mala Educación) – Após hiato de 8 filmes, 17 anos depois, ele reaparece limpando a piscina da casa do protagonista. Chega a avisar ao patrão de que a campainha está tocando.

Veja também:
A razão do meu afeto
Muito mais Almodóvar


[Ouvindo: My Little Cousin – Peggy Lee & Benny Goodman]

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