quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Orgão Saxual e o comércio de música estranha

No boom do CD, metade da década de 90, o povo se desfazia de vinil como se as pobres bolachas plásticas fossem portadoras da peste. E dessa experiência de ter acesso ao que dezenas de pessoas consumiram observei uma coisa.

Alguns artistas pavorosos realmente venderam zilhões de discos! Não eram só conchavo da indústria fonográfica com órgãos de mídia de má fé.

Muita Xuxa, Chitãozinho e Chororó a dar com um pau, completei a discoteca do Rei Roberto Carlos umas duas vezes. Tive um do Beto Barbosa cheio de pegadas, parecia que o LP andou pelo chão da lambateria...

Se todo aquele vinil com trilhas sonoras de novela da Globo fosse derretido e modelassem Barbies, não haveria uma só menina no planeta sem a boneca em versão afro descendente. E as dúzias e dúzias de RPM Rádio Pirata Ao Vivo?

Na Internet, dá pra sacar quem vendeu bastante e está esquecida pela frequencia com que é encontrado nesses blogs de MP3 lounge. Cruzei com Walter Wanderley infinitas vezes!

Se não me engano, aqui mesmo no La Dolce ele apareceu outras vezes. Um sucessão! ... E antes de navegar por estas playas, eu NUNCA tinha ouvido falar.

Orgão Sax Sexy foi gravado em parceria com o organista Portinho no ano de 1964. Uma mistura bizarra dos diabos!

O tecladinho kitsch dá umas baforadas cômicas na malemolência bossa-nova de Wanderley, ou melhor, uma mistura de trilha de sexplotation com baile de fantasias do Hotel Glória. Conheça lá no Loronix.

[Ouvindo: Together (Ultimate mix) – Pet Shop Boys]

2 comentários:

EMendes disse...

Olá Miguel,

O Walter Wanderley, além de ter sido um músico de muito sucesso no Brasil, foi casado com com a grande Isaurinha Garcia, aliás um casamento que frequentava as colunas de fofoca da época, devido às constantes e ruidosas brigas do casal.

Em meados dos anos 60, foi "descoberto" por Tony Bennett, numa de suas visitas ao Brasil. Este encontro o alçou a uma carreira internacional, pois indicado por Tony, WW foi para os Estados Unidos, onde se tornou figurinha carimbada no circuito dos grandes hoteis e clubes de jazz da costa oeste. Além de do inegável talento, tinha a vantagem de ter o nome pronunciado como uonn'dar-li"!

Lá também gravou vários discos, a maioria deles hoje disponíveis em CD, relançados que foram principalmente no Japão, onde até hoje é idolatrado como um dos melhores organistas ever.

Chegando aos Estados Unidos, gravou "Samba de verão", que em 1966 ficou meses a fio na parada da Billboard.

Seus discos americanos são muito melhores dos que os que gravou por aqui, pois tinham um repertório mais ligado à bossa-nova, em que ele podia esbanjar um incrível balanço.

Miguel Andrade disse...

EMendes, muito obrigado pelas informações. O cara era fera mesmo!

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