quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Sextas de funk

Desconheço a procedência dessa foto, mas não há melhor para resumir o espírito do cinema Blaxploitation. Chute na bunda do cinema feito por brancos.

Muito popular na década de 70, tomou proveito do clima de orgulho negro que invadiu os EUA, então um país de efervescentes conflitos raciais. Esquisito que essa onda passou de leve pelo Brasil.

Tanto os títulos quanto as estrelas desse subgênero são praticamente desconhecidas aqui. Há um box de DVDs com obras pouco relevantes naquele preço pouco camarada que geralmente custam filmes alternativos aqui.

Bem oportuno que durante todo este mês, o canal TCM está apresentado um festival blacksplotation. Todas as sextas em dose dupla começando às 22 horas.

Algumas das produções são inéditas ou difíceis de serem encontradas. Conheça alguns dos filmes que estão sendo apresentados no site especial da emissora.

A foto é um oferecimento SCAB

Veja também:
Grandes nomes da pancadaria: Jim Kelly
Foxy me!


[Ouvindo: Fried Chicken & Macaroni – The Fascinators]

12 comentários:

Refer disse...

A publicidade dos filmes do gênero que passaram no Brasil não vinculava a conexão desses filmes com o black power.

Não tenho certeza de que isso aconteceu por razões políticas ou por censura, mas é possível. A censura achava qualquer tipo de politização "perigosa".

Miguel Andrade disse...

Refer, parece que ninguém nunca ouviu falar aqui... Passou batido!

Refer disse...

Bem, pelo menos a "série" Shaft fez um sucesso dukacete — cinemas lotados.

Miguel Andrade disse...

Refer, não sabia mas suspeitava disso! Teve o lance do Oscar, né?

Oscar serve pra isso... Sabe que ainda não assisti a Shaft?

Refer disse...

Por "série" Shaft entenda a trilogia original com Richard Roundtree e algumas imitações; teve série de TV que eu nunca vi, nem sei se passou aqui.
Acho que vale a pena assistir, nem que seja só pela trilha eletrizante de Isaac Hayes.

Miguel Andrade disse...

Refer, a trilha eu conheço! O/

qualquergordotemblog disse...

Depois o Ali Kamel vem dizer que não somos racistas... Não tinha me dado conta disso até vc publicar esse post: Uma inundação de sexploitation e nada de blaxploitation por acá

Miguel Andrade disse...

Qualquergordo, preconceito de verdade aqui é contra pobre. Racismo engrossa esse caldo, até pelo triste histórico de escravidão que temos.

Anônimo disse...

no Livro "Batidão - A História do Funk" diz que os bailes funks dos anos 70 (ou melhor dizendo os verdadeiros) também eram chamados de "Baile Shaft".

houve muito repressão a esses movimentos negros inspirados nos americanos, aqui era mais festeiro, na Bahia influênciar os blocos afros.

até o Simonal teve problemas com o "Tributo a Martin Luther King".


Em São Paulo os rapppers declaram que se influenciaram muito por esses artista do Soul/Funk brasileiro.


Myspace da exposição Movimento Black Rio:
http://www.myspace.com/movimentoblackrio

Miguel Andrade disse...

Anônimo, mas no livro diz alguma coisa do cinema black americano por aqui?

Anônimo disse...

não diz muito trechos que catei do Google Books:

"De volta a Dom Filó, vemos que em 1972 ele enfim concretizou seus planos, ao realizar a Noite do Shaft no Renascença. O nome veio de Shaft, filme daquele mesmo ano do diretor Gordon Parks, que mostra o durão e charmoso detetive negro"

"O grande sucesso cinematográfico do movimento (que passou nos bailes e em poucas sessões de cinema no Rio) era Wattstax, filme de Mel Stuart que documentou o festival de mesmo nome, acontecido em 1972, na cidade de Watt, na Califórnia"

tem esse trecho do Hermano Vianna (um dos que defendem esse "funk carioca, Hermano teria presenteado o Malboro com uma bateria eletrônica e com ela foi gravado o "Funk Brasil" em 89):

"Enquanto o público estava dançando, eram projetados slides com cenas de filmes como Wattstax (semidocumentário de um festival americano de música negra), Shaft (ficção bastante popular no início da década de 70, com atores negros nos papéis principais), além de retratos de músicos e esportistas negros nacionais e internacionais. Os dançarinos que acompanhavam a Soul Grand Prix, e também a equipe Black Power, criaram um estilo de se vestir que mesclava as várias informações visuais que estavam recebendo, incluindo as capas de discos. Foi o período dos cabelos afro, dos sapatos conhecidos como pisantes (solas altas e multicoloridas), das calças de boca estreita, das danças à James Brown, tudo mais ou menos vinculado à expressão "Black is beautiful". Aliás, James Brown era o artista mais tocado nos bailes. Suas músicas, principalmente "Sex Machine", "Soul Power", "Get on the Good Foot", lotavam todas as pistas de dança.



http://portalmultirio.rio.rj.gov.br/sec21/chave_artigo.asp?cod_artigo=136

Trecho do livro O mundo funk carioca, da Jorge Zahar Editora.

http://www.overmundo.com.br/banco/o-baile-funk-carioca-hermano-vianna

Miguel Andrade disse...

Anônimo, obrigado! Shaft foi indicado ao Oscar...

Então serve também para dar sentido ao prêmio como sempre achei. Divulgar pelo mundo filmes que dificilmente seriam lançados.

Pelo menos coisas que não sejam blockbusters.

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