quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Sob o domínio dos cães

Uma coisa é singular na filmografia de Mario Bava: Independente do gênero, ou subgênero que ele abraçasse, o resultado era surpreendente.

Outra coisa é que os podemos encontrar com títulos dispares de acordo com o bom humor dos distribuidores. O que assisti outro dia, tanto se chama Rabid Dogs (1974) quanto originalmente Cani Arrabbiati, A Man and a Boy, Kidnapped ou Semaforo Rosso.

Orçamento irrisório com nada mais do que meia dúzia de atores e pouquíssimos cenários. E está feito um grande filme, quase que pedagogicamente uma aula de suspense.

Em fuga, três assaltantes pé de chinelo fazem uma garota de refém e sequestram um carro. Dentro, um senhor e uma criança adormecida, e é só!

Com trilha sonora enervante e violência crescente, a maior parte da ação transcorre no espaço diminuto do interior do veículo, rumo ao inferno. De trincar os dentes!

Espertamente há alguns momentos de humor, porque a plateia também não aguentaria se tudo fosse tão hard até o fim. Muito amor à turista que força carona, irritantemente feliz ao ponto de torcermos para que sua boca fosse calada logo!

Apostaria pela obviedade das semelhanças, que foi fonte de inspiração para Cães de Aluguel (Reservoir Dogs, 1992). Mas parece foi pura coincidência mesmo.

Segundo o IMDB, com a morte do produtor executivo nos estágios finais, todos os seus bens (incluindo os negativos inacabados) foram apreendidos e confiscados por um tribunal italiano. Rabid Dogs só foi concluído e lançado apenas em 1997, quatro anos após o de Quentin Tarantino chegar aos cinemas.

[Ouvindo: Pelas Tabelas – Chico Buarque]

6 comentários:

BLOB disse...

Um dos melhores filmes do Bava!! E, até onde sei, o único sem temática fantástica... reza uma lenda que ele queria aqui se aproximar do universo do cineasta Sam Peckinpah...

Miguel Andrade disse...

Blob, tem outros sim! Lembro no momento de Sei donne per l'assassino e o que está na agulha para eu assistir agora, Quante volte... quella notte, que, pelo que me falaram, é sexplotation.

BLOB disse...

Bom, aí é uma questão de interpretação... sempre achei o giallo um gênero fantástico...

Miguel Andrade disse...

Blob, fantástico pra mim são mais fantasmas e assombrações em geral. Giallo é policial.

BLOB disse...

Entendo sua colocação... Também já pensei assim... mas giallo que é giallo acaba se tornando fantástico mais pelas suas peculiariedades: os exageros, os climas e os roteiros surreais (muitos involuntáriamente, é vero)... mas como eu disse é tudo uma questão de interpretação... Abraços

Miguel Andrade disse...

Blob, claro!

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