domingo, 11 de julho de 2010

Quando a embalagem vale o conteúdo

Distribuído em DVD no Brasil pela Europa Filmes, Amaldiçoados (Cursed, 2005) tem uma das capas mais bacanas do mercado. E logo pra uma produção tão fraquinha...

Talvez se aplique melhor chamá-lo de decepção, não apenas de fraco. É divertido, engraçado, mas muito abaixo do que se poderia esperar do retorno da parceria entre o diretor Wes Craven e o roteirista Kevin Williamson.

A dupla com muita ironia e auto-referências resgatou o cinema de horror nos anos 90 com a série Pânico (Scream). Craven não filmava nada desde o terceiro filme da série de 2000.

Amaldiçoadas é essencialmente uma repetição de clichês que eles mesmos fizeram entrar na moda na década passada. Inclusive com o previsível “Quem é o assassino?” no final, no caso, “Quem é o Lobisomem original?”, que propaga a tal maldição e por isso precisa ser morto.

Se a intenção é ver Christina Ricci (aquela que gosta de assinar contratos errados) se transformar em “lobismulher”, não ficará decepcionado de forma alguma. Há uma cena bem engraçada quando ela passa pelos primeiros sintomas, sai cheirando o escritório todo até chegar à colega com o nariz sangrando.

Nos extras do segundo disco, o quebra cabeça começa a ser solucionada já que muitas cenas do making of não são vistas no filme. Até que aparece o editor explicando que há uma versão pão com ovo para ser exibida nos cinemas, e uma hardcore para sair em DVD.

Hardcore que tem apenas dois minutos a mais do que os 97 da versão livre? Esse hábito de duas versões está se tornando comum lá fora, mas infelizmente nunca chega aqui.

Sim, essa edição nacional, com embalagem rococó, não é da versão completa! O que deixa tanto capricho ainda mais sem sentido.

Desde a época dos álbuns de vinil eu nunca sei se as edições duplas são realmente necessárias ou são apenas recurso da distribuidora para encarecer o produto. Um filme de 97 minutos realmente não caberia com os extras em apenas um disco?

A Europa Filmes é a mesma que comercializa Planet Terror também duplo, luvinha de papelão toda chique e uma mixaria de extras no segundo disco. Outro exemplo de filme com uma versão mais longa inédita aqui.

Sabemos que o que menos falta são órgãos para defender as distribuidoras perante a livre circulação digital de agora... Mas quem poderá nos defender da sanha mercantilista dessa gente?

[Ouvindo: Cavallina A Cavallo – Ilona Staller]

2 comentários:

Ruy disse...

Agora a europa tá com mania de lançar DVD duplo pra tudo e na maioria dos casos além de uns extras mixurucas eles colocam o filme na versão MP4(!). Deve ser estratégia de marketing pra atrair esse pessoal que correu comprar celular com TV digital.

Miguel Andrade disse...

Ruy, duplo se tiver conteúdo bacana pra ser duplo, se não, pra quê, né? E como se não fosse fácil converter pra MP4.

Eu vi deles uns boxes novos também. Aqueles filmes do Carlos Saura que vendiam em banca ao preço de amendoim torradinho, agora numa caixa custam mais de 100 Reais!!!

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