terça-feira, 22 de junho de 2010

O filme mais tóxico de todos os tempos!

Pelo o que a revista People pesquisou em 1980, 91 pessoas das 220 envolvidas em Sangue de Bárbaros (The Conqueror, 1956) contraíram algum tipo de câncer. Isso por que, o épico foi filmado em um deserto de Utah, próximo de onde os militares haviam testado 11 bombas atômicas.

Esse número pode ser bem maior, já que não engloba as centenas de índios usados como figurantes, nem os parentes dos atores e jornalistas que visitaram as locações. Mas vitimou os atores principais John Wayne (1979), Susan Hayward (1975), Agnes Moorehead (1974) e o diretor Dick Powel (1963).

Ao saber que seu câncer era terminal, o ator mexicano Pedro Armendáriz cometeu o suicídio em 1963. Ele teria sido um dos primeiros a ser diagnosticado, quatro anos após concluir as filmagens.

Há quem aponte coincidência, visto que o hábito de fumar era bem popular no período, e facilmente associado a John Wayne e Agnes Moorehead. Para o Dr. Robert Pendleton , professor de biologia da Universidade de Utah, essa quantidade de doentes pode ser considerada uma epidemia.

Segundo ele, é aceitável como natural que, num grupo de 220 pessoas, 30 desenvolvam algum câncer. O mais bizarro é que sabiam dos testes nucleares quando escolheram as locações.

Talvez por ignorância na época quanto à radioatividade, não se importaram. Haveria uma foto de Wayne com um contador geiger, embora eu não a tenha encontrado em lugar algum.

Como desgraça pouca é bobagem, o magnata Howard Hughes, produtor executivo do filme, mandou transportar 60 toneladas de material (terra, pedras, areia, vegetação) das locações para a Califórnia, afim de que as sequencias rodadas em estúdio não destoassem das externas. 60 toneladas de lixo tóxico em Hollywood!

Tanta tragédia e o filme é um dos mais constrangedores já feitos! Quase uma videocassetada de equívocos em CinemaScope!

Começa sendo risível pela escolha de John Wayne para ser o mongol Gengis Khan. E aqui vale um adendo: O projeto foi criado para Marlon Brando estrelar, Wayne leu o roteiro e ficou doido pelo papel.

Imagina a sorte dupla que Brando teve aí! Poderia ter se contaminado e de quebra protagonizado um dos 100 piores filmes da história na lista dos criadores do Framboesa Dourada (Golden Raspberry Award).

A história é um show de incorreções políticas e históricas, embalado em interpretações carregadas, com texto pronunciado como se os atores estivessem lendo Shakespeare. Até a pobre Agnes Moorehead, a Endora do seriado A Feiticeira, fazendo papel de mãe (!!!) do protagonista está careteira!

Não se sabe se por culpa, ou por vergonha mesmo do resultado, assim que estreou, Howard Hughes, o tirou de circulação por 17 anos, além de ter sido sua última extravagância como produtor cinematográfico. Só em 1974, quando a película já estava lendária, é que a Paramount conseguiu seus direitos para exibi-lo na TV.

Dizem que Sangue de Bárbaros era um dos filmes que Hughs assistia sem parar, trancado em casa nos momentos de crise paranoica de TOC. Saber disso deixa mais angustiante as cenas finais de O Aviador (The Aviator, 2004), trabalho de Martin Scorsese que retrata a vida do bilionário.

Veja também:
O Crime que abalou Hollywood
Star 80: A coelhinha assassinada


[Ouvindo: Gamação – Altamiro Carrilho]

2 comentários:

Flavio disse...

Esse filme é uma espécie de irmão radioativo mais velho do Stalker do Tarkovsky, que foi filmado pertinho de Chernobil e matou bem menos.

Miguel Andrade disse...

Flavio, que honraria duvidosa! Rs

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