segunda-feira, 10 de maio de 2010

¡Ay, Carmen Maura!

Que alegria Carmen Maura! Olho pra ela com a ternura de quem vê aquela tia querida e idealizada, que nos deixava fazer em sua casa tudo o que era proibido na nossa.

Até por que, acompanhamos seu rosto envelhecer junto a filmes muito divertidos vindos de sua Espanha. Já vi mais Carmen Maura nessa vida do que minha tia que mora mais próximo a mim.

Faz tempo que deixou de ser “aquela dos filmes do Almodóvar”. Mas a primeira vez que a vi foi em Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos (Mujeres al Borde de un ataque de nervios, 1988).

E numa matéria da Folha de São Paulo sobre as referências cinematográficas do autor Antônio Calmon para escrever a telenovela Vamp (1991). Seu nome serviu para a personagem de Joana Fomm.

Vangloria-se de sempre tomar decisões em poucos minutos. A mais importante delas conta ter tomado em menos de 20 minutos.

No início dos anos 70 estava casada, mãe de dois filhos, cuidando de uma galeria de arte, quando decidiu abandonar tudo pelo sonho de adolescência de se tornar atriz. Perdeu a guarda dos filhos e entrou para um grupo de teatro.

Foi nessa época que conheceu um certo funcionário da Telefônica, cinéfilo, que começava a produzir alguns curtas em Super 8 de títulos sugestivos como La caída de Sódoma e Dos putas, o historia de amor que termina en boda. A amizade de Carmen e Almodóvar geraria incontáveis frutos.

Tanto que a partir do primeiro longa Pepi, Luci, Bom y Otras Chicas del Montón (1980) ela esteve em todas as suas produções em papéis de variável importância. A consagração internacional em Mujeres al borde de un ataque de nervios coincidiu com o rompimento deles.

Nunca explicado por ambos, falava-se na época que seria por causa da indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro. O diretor teria preferido levar à cerimônia sua esposa na época, a também atriz Bibiana Fernández, ao invés da estrela principal.

Em 2006 a pareceria foi retomada no emocionante Volver. Carmen Maura consagradíssima em papeis dramáticos e cômicos tanto na TV quanto no cinema.

Engraçado saber pelo IMDB que ela foi cogitada para pelo menos uma produção hollywoodiana. Seria a empregada xicana de Kathleen Turner e Michael Douglas em A Guerra dos Roses (The War of the Roses).

Papel que, como se sabe, ficou com a alemã Marianne Sägebrecht. Outra atriz européia já reconhecida internacionalmente que Hollywood não soube muito bem aonde encaixar.

Em Tetro (2009) de Francis Ford Coppola, Maura deu nova chance ao cinema norte americano. Aceitou substituir Javier Bardém!

Veja também:
Régame!
O domador de estrelas


[Ouvindo: Noites De Sabath - Evolução]

7 comentários:

Dênis disse...

Mas vamos combinar q La Maura nem precisa tanto de Róliúdi neam?!!!
Adoro tb o trabalho dela em A Comunidade do Alex de la Iglesia, ela estah sensacional neste filmaço naum muito conhecido por aqui

Charles Bonares disse...

Aprendi com Carmen Maura a fazer gaspacho com tranquilizantes!
Roliúdi? Não, Carmen! Nem pensar!
A era das Divas acabou.

Miguel Andrade disse...

Dênis, não precisa mesmo. Sobreviveu até aqui sem Hollywood.

Charles, mas Hollywood está no imaginário de todos. Embora ela tenha vingado sem precisar deles.

Leo disse...

Em Hollywood ia acabar indo parar nuns papéis estilo Sônia Braga, não mereceria tal mico.

Miguel Andrade disse...

Leo, também acho. Fez muito bem ter se poupado.

Djalma disse...

"Aprendi com Carmen Maura a fazer gaspacho com tranquilizantes!" [2]

Certa vez fui à casa do Charles e fizemos o gazpacho. E não é que o negócio é uma delícia? Pena não termos conseguido o Morphidal...

Aliás, "Mulheres..." é meu filme favorito de todos os tempos. Foi a partir dele, ao qual fui apresentado num sábado gelado de 2005 (por alguns amigos queridos, incluindo o Charles aí de cima!) que eu passei a realmente gostar de cinema. Não me apedrejem, pois eu também não gostava de (e não ouvia) música, até conseguir uma vitrola para tocar os discos do meu avô... ;)

Miguel Andrade disse...

Djalma, "Mujeres" está na minha lista dos filmes favoritos também! Do Almodovar é meu the best sem dúvida!

A única vez que tomei gaspacho foi que me trouxeram da Espanha, numa caixinha longa vida. E achei ótimo!

Não lembro qual foi meu filme germinal... Acho que foram vários, inclusive meu primeiro, Pinóquio da Disney aos 4 anos.

Já pensei nessa lista: Os filmes que fizeram um pouco de mim.

Pra quem não viu, a receita de gaspacho:
http://cidadaoquem.blogspot.com/2008/06/receita-de-gaspacho-tomate-pepino.html

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