quinta-feira, 18 de março de 2010

Irmãs Castro: doce sabor da roça

To sabendo agora, quase que junto com você, que uma das maiores estrelas da música brasileira nasceu em Itapeva! Itapeva é aquela cidadezinha ao sul do estado de São Paulo, quaaaase fronteira com o Paraná, onde eu cresci.

Maria de Jesus Castro nasceu lá! Itapevense, após ser ouvida ao lado de Lourdes Amaral Castro (de Bauru SP) por Nhô Pai teve a carreira deslanchada!

Foram as duas lindas, já com o nome de Irmãs Castro, cantar nos principais cassinos da então capital Rio de Janeiro. Início da década de 40, com certidões de nascimento falsificadas!

Conseguiram a proeza de radio transmitir suas vozes nas rádios top do momento como Tupi, Globo e Mayrink Veiga. Época anterior ao surgimento da televisão, quando o rádio era o veículo número um do país.

Segundo a Enciclopédia da Música Brasileira, reproduzida no blog MPB Cifraantiga, elas entrariam para a história da nossa cultura popular em 1945, com o segundo disco da dupla. A faixa Beijinho Doce as transformou em celebridades!

Embora na posteridade a canção tenha ficado bastante marcada pela interpretação de Eliana e Adelaide Chiozzo. As atrizes a regravaram para um número musical da chanchada Aviso aos Navegantes, dirigido por Watson Macedo em 1950.

Em 2008, graças a telenovela A Favorita, quando a vilã Flora (Patrícia Pilar) queria tomar a carreira de cantora sertaneja, Beijinho Doce foi relembrada! Épocas de internet, pipocaram versões, inclusive em funk carioca!

E se politicagem, puxa-saquismo, e similares a nível federal já é triste, imagina em pequenas cidades? Nem faz muito tento encontrei no site da Câmara Municipal informações sobre alguns habitantes “ilustres” fora da cidade que foram homenageados em sessão solene.

Ser “ilustre” entenda-se fazer ponta em novela da TV Globo, ou ser irmão, primo, filho de algum dos nobres edis ou de seus amigos e correligionários. Provavelmente também nunca ouviram falar de Maria de Jesus Castro...

Veja também:
O dia em que Itapeva parou
Ouça a realeza do rádio


[Ouvindo: Don't Blame Me – Perry Botkin Jr.]

8 comentários:

Leticia disse...

Ou quando o filho ilustre é reconhecido em OUTRO lugar. Uma coisa meio Elis Regina. Ninguém em POA deu trela pra ela e, olha só! "nossa filha ilustre".

Miguel Andrade disse...

Letícia, a página da Câmara dá calafrios. Aqueles mesmos vereadores de décadas atrás celebrando seus parentes e amigos....

Memória curtíssima, gente sem nenhum orgulho por onde mora, não é a toa que aquele lugar não se desenvolve NADA!!!!

Leticia disse...

Coisa normal pelo Brasil, não fique chateado. A Câmara de Vereadores da minha cidade também é o fim da picada.

Miguel Andrade disse...

Letícia, imagina nos cafundós do Brasil? Mais cafundó ainda, naqueles municípios com menos habitantes ainda, o oba oba que deve ser?

Leticia disse...

Ai, Miguel, a Cãmara de Vereadores da mina aldeia é tão, mas tão rural que não chego a ver diferença...

Miguel Andrade disse...

Letícia e também devem ser os mesmos a 19500 anos... Cargo vitalício.

Leticia disse...

É. E chega uma hora a sua senhooooura toma a iniciativa de pintar os cabelos dele, negros como a asa da graúna, ornando aquela cara encarquilhada.

Miguel Andrade disse...

Leticia, típico tipico típico da política nacional! E o negro graúna depois de umas lavadas vira o conhecido acaju.

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