sábado, 31 de outubro de 2009

Flor de laranjeira

Não há mais motivo pras mocinhas invejarem o sexo masculino que lê jornal! Jornal das Moças é totalmente feito pra elas!

Só fofoca de artistas, moldes de corte e costura, dicas de boas maneiras, conselhos sentimentais e astrológicos e mais algumas outras coisas que interessam apenas às garotas. E isso deveria significar um avanço daqueles na empresa.

Lembro que até pouco tempo o Estadão publicava o Caderno Feminino, pra que a dona de casa não esquente a cabeça com esportes, cultura ou política. Aliás, acho que esse suplemento não existe mais em 2009, né?

[Ouvindo: C.C. & O. Blues – Pink Anderson & Simmie Dooley]

A tripulante menos famosa da Júpiter 2

Coitada da Debbie, a Blooper, foi tirada de seu habitat natural e nem um dos Robinson é considerada! Enquanto isso, o pequeno Will não se cansa de exaltar os sentimentos do Robô (aka Lata de Sardinha), e que isso o faz membro da família.

No mínimo, a pentelhinha da Penny encheu o saco da mãe pra levar o bicho pra dentro da nave pra depois não dar pelota! Humpf!

[Ouvindo: Jaan Pehechaan Ho – Mohammed Rafi]

As tais boas casas do ramo

E a gente reclama, reclama que no Brasil nunca lançam nada decente em comparação a outros mercados abastados, mas há lá suas vantagens. Lá fora, qualquer porcaria é lançada em DVD em edições comemorativas de cinco em cinco anos e faturam bem.

Super Xuxa Contra o Baixo Astral, um baita sucesso, fez 20 anos em 2008 e fomos poupados de uma edição especial em DVD. E dá medo até em falar tal coisa, porque vai que alguém aposte tardiamente na idéia?

Com uma boa campanha de marketing, despertando o saudosismo da galera, iria vender bem. Nos EUA, o filme que deve ter tido bilheteria inferior a Plan 9 From Outer Space, recebeu dois nomes: Super Xuxa Against the Bad Vibes e Super Xuxa versus Satan.

Ano que vem, 2010, é a vez de Lua de Cristal comemorar duas décadas de lançamento. Época em que eu (e meu gosto infantil podre) infelizmente já tinha idade para ir ao cinema sozinho.

[Ouvindo: Teenage Zombies (Main Theme) – Jerry Warren]

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Rainha do pornô aos 15 anos


Quando Nora Louise Kuzma fugiu de casa, na tentativa de escapar das constantes surras do pai alcoólatra, torcia para que acontecesse uma reviravolta em sua vida. Mas provavelmente não o furacão que assolou os EUA!

Com documentação falsa (sob o nome Kristie Nussman) conseguiu fazer alguns trabalhos como modelo em Los Angeles. Já com o pseudônimo Traci Lords apareceu logo depois como a Garota do Mês da revista Penthouse.

Daí a fazer filmes de sexo explícito foi um pulo! E poucas produções nos anos 80 venderam mais do que as que tinham seu nome estampado na capa.

Chegou a participar de 100 filmes, e garante nunca ter assistido a nenhum deles. Em 1987 já tinha juntado grana o suficiente para produzir seus trabalhos e foi a Paris gravar Traci, Desejada e Possuída (Traci, I Love You).

Enquanto isso, na terra do Tio Sam, a casa caía. O FBI descobriu que os documentos da moça eram falsos e meio mundo na indústria do sexo explícito que estava envolvido foi parar no xilindró.

Logo uma indústria tão cheia de gente esperta como essa, levou olé de uma adolescente. Lords foi presa ao voltar para o seu país, no aeroporto mesmo.

Mas era tarde, ao embarcar à Europa ela já tinha completado 18 anos. E é aí que a coisa fica dúbia. TODOS os vídeos foram tirados de circulação, menos o que acabara de fazer.

Claro que com tanta divulgação gratuita em tablóides, Traci, Desejada e Possuída, seu único em circulação, se tornou o pornô mais vendido de 1987. Justo a estréia da produtora Traci Lords Productions Inc.

Rei morto, rei posto! Então a “atriz” decidiu tirar as aspas da palavra atriz e se matriculou no Instituto Lee Strasberg. Assim como haviam feito Marlon Brando, Marilyn Monroe, Paul Newman, e dezenas de outros nomes relevantes de Hollywood.

Seu primeiro trabalho no cinema de "verdade" foi sob a batuta de Roger Corman na ficção científica Vampiros das Estrelas (Not of This Earth, 1988), mas o maior destaque foi em Cry-Baby de John Waters. No ótimo documentário que acompanha este filme em DVD aparece o diretor e Lords comentando o auê das filmagens com o FBI em cima deles.

Madonna estava bombando com o seu Erótica, quando ela lançou o disco 1000 Fires. Na década de 90 o caminho para toda loira com "fama de sexy" parecia ser a música.

Fez participações em incontáveis séries de TV como Melrose Place, Married... with Children, Will & Grace e Gilmore Girls. Sua mais recente aparição na tela grande foi em Pagando Bem, Que Mal Tem? (Zack and Miri Make a Porno, 2009) de Kevin Smith.

Segundo a biografia do site oficial, está casada e vive no sul da Califórnia. Divide seu tempo entre o trabalho, a maternidade e o carinho de seus gatos siameses.

Veja também:
A única que dormiu com John Holmes
O Crepúsculo de Jeff Stryker


Pausa para nossos comerciais

Eau Savage - Christian Dior

Com este erotismo implícito, quando que um cliente de hoje aprovaria algo que se precisa pensar pra sacar? Coisa mais démodé fazer pensar, mesmo que por poucos segundos...

Não faço idéia de qual agência é ou, embora publicado numa revista 70’s nacional, seja criação brasileira. Encanta-me a não obviedade.

[Ouvindo: Take Me Back to Manhattan - Rosemary Clooney]

Gurizinho 1X0 Pantera

Oh! Ser Pantera não é doce. Kelly Garrett alvejada por um infante de cabelo tigelinha!!!

Veja também:
Requisito básico pra ser Pantera
Os múltiplos talentos de Cheryl Ladd


[Ouvindo: Maine Kab Tumse Kaha Tha – Lata Mangeshkar]

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Cores do vento

Culturas em conflito? Nem só de bang bang viveu a colonização da América.

E a propósito, estou há anos procurando o disco que ouvi certa vez de um índio tocando a dança do sol rm flauta de osso de águia. Devia ser igual a esta aí.

[Ouvindo: Follow Me – Kimiko Ito]

Opinião de Dietrich sobre Madonna

Em seus últimos anos, Marlene Dietrich trocou correspondência com Eryk Hanut, um fã. Depois que ela morreu, o cara reuniu tudo num livro cujo título era o que ela sempre dizia ao se despedir “Desejo-lhe Amor”.

Registrou coisas como a opinião do Anjo Azul sobre cigarro. Altamente associada à era das deusas fumegantes, demonstrava opiniões contraditórias.

Havia dias em que morria de amores "Fume meu querido! Fumar é ótimo!" "Hummmm, amo cheiro de cigarro!". Em outros, detonava com todas as suas forças "Goot, isso vai te matar!"...

Não via a mínima graça na ex-colega Grace Kelly, então princesa de Mônaco, mas tinha verdadeira adoração pela estrela em ascensão Madonna: "Ela canta mal, é vulgar e se veste como uma vagabunda, mas seu show é ótimo! Mostra como o público ainda entende das coisas!".

Veja também:
Afagos entre gigantes


[Ouvindo: Wake Me Up Before You Go Go – Wham!]

O homem invisível


Dream Anatomy é uma galeria com dezenas de imagens usadas para estudos científicos da anatomia humana nos séculos passados. Especificamente da era medieval à recente década de 60.

A gravura maior deste post é criação do anatomista Bernhard Siegfried Albinus (1697-1770) e do artista Jan Wandelaar (1690-1759). Do tempo em que religião se misturava facilmente a ciência.

Vendo sites destes dá certo alívio em viver exatamente em 2009. Tudo pode parecer uma porcaria, mas pelo menos temos anestesia!


[Ouvindo: Royksopp Forever – Röyksopp]

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

La Cabeza de Pancho Villa

Não sei como ninguém teve a idéia de fazer um filme assim no Brasil, usando a cabeça do Lampião. Olha se o poster deste filme nacional não remete ao horror.

Quando nossos cineastas desencanarem de mostrar pipoco em favela carioca e/ou comédia sobre classe média carioca, poderão voltar ao cangaço, tema clássico tão amado! Por eles.

Um oferecimento 13 1/2

[Ouvindo: Easy Love – MSTRKRFT]

As Certinhas do La Dolce

Christina Applegate

Familiar.

Um oferecimento Totally blog of the heart

[Ouvindo: I Need A Man – Barbara Pitman]

Hábito cavernoso

À primeira vista estes anúncios do cigarrinho Winston com os Flintstones até chocam. Mas nem tanto se levarmos em conta de que originalmente era desenho adulto, exibido em horário nobre.

Me parece uma coisa bem estúpida julgar o costume de uma época sob a ótica atual. Assista aos comerciais no You Tube.

Veja também:
O que não dizem sobre o cowboy Marlboro


Salvem os japoneses!

Se você é daqueles que odeiam o lugar aonde mora, lembre-se que há bem piores! O Japão, por exemplo, me parece muito pior que a mais inóspita das regiões do Brasil...

Os pobres coitados dos japonesinhos não podem nem se quer ter um minuto de lazer. Lá a mortandade atinge índices estratosféricos graças á livre concorrência dos monstros gigantes.

Um oferecimento Histoire de Loeil

Veja também:
Enquanto isso na Toho Company...
Mothra, Cadê você?


[Ouvindo: Caçada – Chico Buarque]

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Como surgiu a Loira do Banheiro


Só fui usar o banheiro da escola no colegial de tanto medo da loira que o assombrava. A entidade apareceria num banheiro específico pedindo ajuda para que lhe tirássemos o algodão do nariz.

Para meu azar, troquei de escola na terceira série e lá havia outra assombração de cabelo descolorido. E ninguém parava pra discutir a possibilidade, muito mais plausível, de ser uma grande mentira!

Todas as escolas do Brasil tinham suas loiras que depois de mortas iam fazer a linha banheirão. Totalmente incorporada ao imaginário popular, a Loira do Banheiro foi tema de historinha da Turma da Mônica e de um filme X-rated.

A extinta revista General (editora Acme/Sampa) desvendou o mito. Em sua edição 13 conseguiu entrevistar um de seus criadores, Mário Luiz Serra, ex repórter do Notícias Populares, que na ocasião em que assumiu a farsa, trabalhava em Jundiaí como pacato professor de cursinho universitário.

Ao entrar para o NP em 1966 o jornal corria o risco de fechar, então começaram a apimentar situações. Leia alguns trechos da entrevista concedida à repórter Rute Domitila:

“Num domingo, chegamos à uma hora da tarde na redação e não havia acontecido nada naquele dia. Ligamos para o IML, ninguém estuprou ninguém, nenhum amante se suicidou... Era, enfim, um domingo tedioso. Caiu na nossa mão uma foto de uma funcionária do NP, encarregada do tráfico interno.

Você lembra o nome dela?
Era um nome próximo de Luzinete, Ivonete, uma Nete, não lembro direito. E ela era uma mulher muito gostosa. Todo mundo tinha terríveis intenções para ela. E ela não sobrava pra ninguém. A foto dela que tínhamos estava com um borrão. Ficamos discutindo o que fazer. Pensamos até em repetir uma manchete que havia causado certo furor -"Morte no Treme-Treme" (de imediato as pessoas acharam que se tratava de morte ocorrida em prédios de São Paulo; na verdade, estávamos nos referindo ao terremoto no Chile). E aí aparece a foto da moça. Alguém disse que estava parecendo um fantasma. Eu gritei: "Está aí a manchete!". Fomos compor e o título que deu foi "Loira Fantasma Aparece Em Banheiro De Escola".

A escolha da manchete foi aleatória?
Sim. Bolamos a manchete de acordo com o número de caracteres que precisávamos. Assim que o jornal saiu, fomos comer e passamos em uma banca de jornal. Não tinha nenhum NP. Perguntamos ao jornaleiro o que havia acontecido com o jornal e ele nos contou que já havia esgotado.

Qual foi a reação de vocês?
Nós não entendemos nada. Só sei que muita gente ligou para a redação afirmando que também tinha visto a Loira Fantasma no banheiro de escolas.

Como chamam os outros criadores da Loira?
Minas Conjumijan e Sérgio Costa, já falecido. Nós três criamos a Loira Fantasma.

Não havia, na época em que vocês inventaram a história da Loira, nenhum boato, nenhuma informação de que corria pela cidade uma história dessas?
Nada. Tudo começou com a foto da funcionária. A gente usou o banheiro como palco para a aparição dela, repito, por mero acaso, necessidade de fazer valer o espaço da manchete.

E por onde anda essa moça que foi a responsável pela história toda?
Ela não acreditou que a foto era dela por causa do borrão, bem no rosto.

Ah, o borrão é o algodão...
O borrão é o algodão que as pessoas viam. Essa história rendeu muito. Uma coisa surpreendente: você acha que essa Loira aparecia em que escolas?

Nas situadas em regiões periféricas, talvez...
Eu também achava. Mas a Loira apareceu em todo tipo de escola. Tem uma história que aconteceu no Colégio Rio Branco, quando ainda se localizava em Higienópolis. Um dia entra uma senhora rodeada por um bando de mocinhas todas em prantos. Tinham acabado de ver a Loira. Não dava pra não rir. A senhora era a diretora da escola. Ouviu as meninas gritando, foi ver o que era, pegou a máquina fotográfica e fotografou a Loira. Pensei: "Se esta mulher estiver com uma foto da Loira, eu vou me internar". Mandamos o filme para o laboratório e, quando ficaram prontas as fotos, cadê a Loira? As fotos eram de um banheiro vazio. A senhora gritou: "Está vendo como é fantasma? Se fosse gente tinha saído nas fotos!".

Chegando nesse ponto, a coisa estava ficando complicada. Vocês não pensaram em publicar uma matéria revertendo ou encontrando uma outra saída para a Loira?
Fomos conversar com um psiquiatra, Miguel Possi Neto. Segundo ele, não bastava a gente dizer que tudo aquilo era mentira, o problema maior era fazer o leitor acreditar que era mentira. Nos fez então uma proposta: publiquem que é mentira e verão se os leitores acreditam ou não. Nessa altura nós estávamos recebendo pressões de todos os lados, inclusive da Secretaria da Educação. A molecada não queria ir ao banheiro.

Eu mesma só ia em casa.
As pessoas que não conseguiam se controlar, usavam os corredores, a própria sala de aula. Isso criava um grande problema. Então demos a manchete: "Loira Fantasma Era Farsa". Ninguém acreditou no desmentido. Recebíamos telefonemas absurdos, dizendo que estávamos escondendo alguma coisa. A Loira continuou aparecendo.

A Loira Fantasma não foi só vista em São Paulo.
Não. Ela pegou inicialmente a Anhanguera e foi aparecendo em outras cidades, daí em outros estados.

E a tal da Luzinete nem lucrou com a história da qual foi protagonista.
Nada. Pior que isso. Uma prima dela jurou que também tinha visto a Loira.

Você tem idéia do paradeiro dela?
Há um tempo atrás eu soube que ela havia se casado e tinha um restaurante no caminho de Bertioga.

Para acabar ou diminuir a importância de uma história, nada melhor do que inventar outra.
Para substituir a história da Loira Fantasma, criamos o Bebê Diabo.”


Veja também:
A verdadeira Monga A Mulher Gorila
Jornalismo Gonzo
Chupa-cabra - A Verdade está Lá Fora
O sensacional Notícias Populares


[Ouvindo: The Lady Is A Tramp – Frank Sinatra]

Ladies and gentlemen:

Com habilidade sui generis de despertar paixões mesmo depois de morta. Morta?

[Ouvindo: Lullaby Of Broadway – Dick Powell]

Rio de Janeiro 3D

Olhai o James Bond admirando a bela paisagem carioca de 1979, em 007 Contra O Foguete da Morte (Moonraker). Coloque seus óculos 3D e se sinta um legítimo espião inglês sem correr riscos.

Embora eu acredito que não há paisagem melhor do Rio que a mostrada por Hitchcock em Interlúdio (Notorius, 1946). Se a gente relevar os nazistas, lógico!

A imagem tridimensional é um oferecimento 3D-Geek

Veja também:
O mico do Tarzan no Rio de Janeiro
Pee-wee Herman em 3D


[Ouvindo: Le Tango – Juliette Gréco]

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Deusa aprontando altas confusões

Que saudosismo ver estes avisos, comuns até hoje na Sessão da Tarde da Globo, num filme clássico. Quando Os Deuses Amam (Down to Earth, 1947) era figurinha fácil nos anos 80.

E embora musical, que invariavelmente me levavam ao sono já que eu estudava de manhã, era imperdível por lidar com deuses mitológicos. Rita Hayworth (Quem mais poderia?) é Terpsichore, musa da dança, que fica emputecida ao saber que farão musical na Broadway mostrando-a de forma vulgar. “Uma devassa!”

Vem pra Terra disfarçada de mortal e com nome Kitty Pendleton tentará reverter as coisas. Começando por conseguir o papel principal no tal espetáculo.

Argumento muito parecido ao de Xanadu (da Olivia Newton-John) e mais uma pá de filmes com divindades às voltas com problemas sentimentalmente humanos. Inédito em DVD no Brasil e dificílimo de ser encontrado na web.

E uma boa alma me agraciou com esta cópia digitalizada de VHS gravado da Globo. Lembrando que piorava ao ser gravado em VHS, a gente era feliz mesmo assistindo coisas com imagem toda rabiscada e dublagem antiga pronunciando os “erres” super direitinho.

Quanto à Sessão da Tarde capenga atual, tenho certeza que publiquei antes aqui a minha teoria. Infelizmente está entre os posts que sei lá porquê o Blogger sumiu.

Resumidamente, creio que nada mudou. A Globo continua exibindo no horário filmes produzidos há no máximo 30 anos.

O que mudou foi o cinema e a popularidade dos televisores. E é por isso mesmo que bendigo a invenção do DVD e poder colecioná-los pra se assistir quando bem entender.

[Ouvindo: Cajueiro Velho – Alcione]
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