quarta-feira, 31 de maio de 2006

Videodrome - A Síndrome do Vídeo

Parem as máquinas! Acabo de finalizar minha coleção de revistas General após mais de 10 anos de ter sido extinta. Encontrei em um sebo as quatro edições que me faltavam, mais uma zero (?) de quando a Conrad resolveu ressuscitá-la há uns dois anos. Fuçando nos arquivos daqui dá pra achar algum post a respeito. Óbvio que a maioria do conteúdo era chupado de revistas gringas modernas. O dólar estava baixo no início da década de 90 e as bancas ficaram abarrotadas de publicações estrangeiras a preços apetitosos. Pululava na imprensa gente sendo moderna a qualquer custo. Até a Folha de São Paulo tirou proveito, com colunistas caprichando no hype. Era hype pra cá, hype pra lá... A Internet tratou de pulverizar tanta camuflagem moderna, barateou e tornou acessível a informação antes dada a conta-gotas. Dá pra sentir um frio na espinha com o esforço sobre-humano da arte feita com os PCs arcaicos do período. São inacreditáveis os toscos e evidentes filtros do Photoshop (talvez na versão 3, sei lá) a cada página... Na seção Guia (edição 11) li a seguinte notinha: “Ninguém duvida que o grande hit da Internet para 95 é a WWW, W3, ou World Wide Wib (sic). Esta tela (sic) multimídia atolada bem no coração da mãe de todas as redes cresce a uma velocidade incrível. A WWW está para a Internet como a TV está para o telégrafo. Se você botar as mãos num computador com acesso a WWW, vá direto ao Yahoo (http://akebono.stanford.edu). É o assunto mais cool da WWW.” Primeiro, veja como o revisor apanhou com um monte de palavrinhas desconhecidas, segundo, esquecemos que Internet não foi (nem será) apenas www, e terceiro, Yahoo cool? E que porra de endereço é esse? E o produtor musical Miranda (visto hoje em momento bem menos moderno sendo jurado de programa do SBT, o Ídolos), na mesma revista lançou a Igreja Triangular do Resíduo Digital. Sabe que já tinha parado pra pensar nisso? Esse monte de coisinhas que vamos espalhando pelo cyber space vai ficando, ficando... Iremos embora e elas continuarão vagando. A quantidade de e-mails que volta e meia (quase rimou! Aleluia!!!) recebo comentando os mais variados assuntos que escrevi há três ou quatro anos como se tivesse postado agora é incrível. O futuro tornou-se passado, o passado presente, o presente futuro... Na época em que o Yahoo podia ser considerado cool a idéia era de que tudo por aqui seria descartável. Não haverá sebo virtual daqui a dez anos, mas salve Nossa Senhora do Backup dos Últimos Dígitos! Salve, salve...

[Ouvindo: Let Forever Be - The Chemical Brothers]

domingo, 28 de maio de 2006

Esse Mundo é um Pandeiro

Humor é como você sabe o quê, cada um tem o seu. Bato boca teimando coisas incrivelmente absurdas, me fazendo de burro, só pro opositor sacolejar de tanto explicar, e por dentro me esbugalho de rir. Claro que pago o preço de perguntar, quando realmente não sei e ninguém explicar. Uma coisa o menino que gritava lobo... Esopo! Coleciono pornografia, daquela mais escrota, e me divirto criando historinhas que justifiquem aqueles momentos constrangedores. E achei marcas de tentativas de cortar os pulsos! Wow! Cicatrizes de silicone é coisa banal que perdeu a graça até... Diz o senso popular que amigo é aquele que come um quilo de sal com você. Discordo! Amigo é aquele que ri exatamente do mesmo que você. Raríssimo! Se for incapaz de assistir a um Fala Que Eu te Escuto, ficar imaginando possíveis assuntos para ligar e ver a resposta ao vivo dos pastores, dou tchauzinho! Aliás, este é um dos poucos humorísticos da TV brasileira. Incluo aí o da Mãe Loira, Cátia Fonseca, e o da Palmirinha Onofre! Huguinho, manda um beijo pra vó!!! Trabalhava em um lugar onde todo santo dia, quando chegava, passava pela recepcionista e com cara fechada disparava à queima-roupa: “Cadê teu uniforme?”, e continuava andando. E toda vez tinha uma trêmula explicação sem nunca cair a ficha de que além de eu não ter nada com isso, também não usava o meu, diga-se de passagem, amarelo-ovo. Já entrei num templo da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e disse que era essencial para minha vida a posse do grande Livro de Mórmon! Imagina o tamanho dos olhos daquela gente acostumada a muita porta na cara!!! Meu amigo foi a uma loja de CDs de rock, daquelas onde os atendentes são cabeludos ensebados de camiseta preta, e perguntou se já chegou o novo da Geri Halliwell! De quem? John Waters, o papa do humor no cinema, tem como passatempo ir ao supermercado e, sem que ninguém note, coloca produtos do tipo mortadela no carrinho de gente chique. Absolutamente fabuloso!

[Ouvindo: Arrazando – Thalia ]

sábado, 27 de maio de 2006

Os Olhos da Cidade São Meus

Não chego ao ponto de cantar Venus as a Boy enquanto frito ovo, mas tenho me divertido um bocado no território culinário. Assim, quando me dá uma terrível vontade de comer uma coisa na hora em que vou dormir, enquanto não pego no sono (e isso costuma demorar), vou imaginando as possibilidades para chegar àquele resultado. A emoção está em nunca usar receita para nada. Nem pra bolo, e quase sempre dá certo! Quaaaase... Fora os momentos Marta Stuart, ainda tenho colocado a leitura em dia e revisto alguns DVDs com o áudio de comentários do diretor. Ok, Tim Burton é gênio, mas ouvir seus comentários monossilábicos seria perder tempo, se ele não me estivesse sobrando, como você deve notar. Oh! Mas isso é fichinha perto da administração do tempo que Ramos de Azevedo devia ter. O arquiteto (engenheiro e professor!), foi imortalizado pela construção do fabuloso teatro municipal de São Paulo, e ainda na capital a tal Casa das Rosas na Avenida Paulista. Tudo no mais absoluto art déco com os rococós a que tínhamos direito no início do século passado. Bizarro é que mesmo tão ocupado ele conseguiu espalhar seus trabalhos por todo o país. Onde tem um casarão caindo aos pedaços alguém imediatamente recorda que aquilo é coisa de Ramos de Azevedo! Mesmo em Itapeva (lá nos cafundós do estado), o decadente Itapeva Clube teve seus anos de glória quando era chamado de Gabinete de Leitura, ostentando as linhas sinuosas do arquiteto. Em 1969 o frisson foi a ilustre visita da atual Miss Brasil Vera Fisher, evento amplamente fotografado pelos cidadãos locais. Naquela cidade ainda há outra obra praticamente fiel ao original: A insuspeita casa do padre. Sim, sim! Em meio a construções do porte de um teatro municipal ou Correio Geral, arrumou um tempinho na agenda pra colocar em pé a casa do vigário! Aqui em Jundiaí tem o dedinho dele na biblioteca municipal, o lugar onde não se pode entrar de bermuda, minissaia, sem camisa, com bolsa, pasta... Ou o cara possuía a secretária mais eficiente que já existiu ou nem tudo deve ser verdade. Talvez Pau d'Alho não tenha uma construção com a assinatura de Ramos de Azevedo. Quiçá!

[Ouvindo: Let Forever Be - The Chemical Brothers]

terça-feira, 23 de maio de 2006

Efeito Borboleta


Todo domingo era igual. 19 horas: Os Trapalhões. E assim que acabasse, alguém se levantava e mudava pra TVS (!!!), no Show de Calouros. Silvio Santos, o camelô que se tornou magnata das telecomunicações, havia chupado a fórmula do popular programa de Chuck Barris na TV norte-americana. Trocou o gongo por uma campainha, mas o time de jurados brilhando mais que os que se apresentavam no palco era a mesma coisa. Meu avô declarava que a Sônia Lima era baixa, uma de minhas irmãs tinha o Sérgio Mallandro (quem?) como símbolo de beleza e todos naquela sala achavam a Aracy de Almeida detestável. Ninguém fazia idéia de quem fosse aquela criatura ou de seu passado glorioso na era do rádio nacional e suas parceiras com Noel Rosa. Em seu fim de carreira (mesmo!) ela se resumia a tocar uma campainha quando a cantoria não a agradasse, mesmo com todos gostando. “Aaaaah, Aracy de Almeida!” era o bordão do patrão nestas horas. Se por ventura ela gostasse dava “dez pau!” mascando jujubas, amendoim ou algo que o valha. Minha prima nessa época tinha o cabelo ruim e o apelido que os guris da rua lhe deram não podia ser outro: Aracizinha! Pra sua desgraça saíam correndo atrás dela gritando “Dez pau! Dez pau!” Aguardadíssimas eram as competições entre travecas. Antes de elas entrarem o apresentador amortecia o impacto explicando que eram artistas que faziam muitas imitações como Chaplin, Elvis e até Snoopy. Não entendia porque ali na TV se resumiam a Liza Minelli, Maria Bethânia, Gal Costa... Na platéia caseira havia um certo silêncio, até brincávamos com minha mãe que ela poderia ir lá competir graças a seu sexo definido erroneamente como M no RG. Com o Leão Lobo entre jurados a homofobia gritava, porque (esta palavra é tosca, confesso) assumia-se gay e usava barba. Uma velha senhora (daquelas cheirando a nafta, cabelo acaju e óculos de gatinha), amiga da família, durante uma visita classificou os gays. Leão Lobo estaria na categoria dos “sem vergonha” que faziam a coisa só por fazer, e os travestis eram legítimos. Simplesmente perdi o sono imaginando que aqueles seres eram a evolução da homossexualidade, criaturas para serem expostas em um programa de calouros como bezerros de duas cabeças em parques de diversões... Numa bela manhã, depois de alguns anos de casulo, todos desabrochariam como mulheres lindéééééééééérrimas! A década de 80 passou rápido, e no início dos 90 mudei de canal. O Fantástico ainda era o tal na exibição de videoclipes. Gravei no recém-comprado videocassete o novo de uma tal Madonna. Erótica mostrava que não há rótulos suficientes para catalogar todos os seres humanos.


[Ouvindo: Miénteme – Aterciopelados]

domingo, 21 de maio de 2006

Como Enlouquecer Seu Chefe


Meu quarto é uma bagunça, o Bruce, por mais que tente organizar cada arquivo em sua devida pastinha, é uma bagunça, minha aparência sempre é uma bagunça. Só teria vergonha de ser bagunçado no meu trabalho. E se nem pontualidade com salário acontecer, é mais do que sinal de que ali não é meu lugar. Por isso, quando as coisas fogem de meu controle peço demissão. Pode chorar, espernear, fazer juras de amor (Wow! E isso tudo já aconteceu!) que vou pra rua chutar pedrinha!!! Boto minha mochila nas costas e só não saio tocando gaita porque não sei tocar gaita. Dá pra brincar de Miss Marple logo na primeira semana. Demonstração conhecida de que as coisas não vão bem é a falta de cafezinho. Ausência de café ou copinhos descartáveis no Brasil, se não é falta de dinheiro no caixa, cheira pelo menos a má administração. Teve um lugar onde meu paladar (mesmo de fumante) identificou que usavam cevada (!!!), mas isso era sovinice mesmo. Desconfie de intimidade exagerada entre patrões e funcionários antigos. Normalmente isso é mantido em troca de atrasos salariais, e mais! Amigos não exigem muito de amigos, o trabalho deles sobrará, claro, pra você que acabou de chegar. Chefe muito afetuoso costuma ser adepto do estilo Casa Grande & Senzala. Não te leva nunca ao tronco, mas na hora de cumprir suas obrigações ($$$) prefere te ver junto aos teus, longe do ar condicionado de sua salinha. Esse tipo, mesmo com o barco tendo água até o tornozelo, continua brincando de grande senhor, chegando à hora que bem entender, e se há expediente aos sábados jamais será visto neste dia. Troca-troca de funcionários, reuniões eminentes com discursos motivadores e objetos de trabalho precários? No dia do faz-me-rir, pode ter certeza, será choro!


[Ouvindo: Car Song – Elastica]

sexta-feira, 19 de maio de 2006

Pânico


Tá! Freud talvez possa explicar... Por anos um sonho me foi constante. Havia uma escada (às vezes em caracol, às vezes de mármore, às vezes uma daquelas de pintor mesmo), subia alguns poucos degraus e ficava com muito medo de continuar subindo ou de voltar ao chão. Parei de sonhar isso, assim como com as viagens astrais apavorantes. Já estava virando algo até que bem banal ver (e sentir) meu corpo flutuando pelo quarto. Me contaram que cigarro e estresse são batata pra acabar com isso. Quando bem pequeno temia que houvesse um terremoto (nos Açores esta possibilidade era forte) e eu não estivesse ao lado da minha mãe pra morrer. Se a casa desmoronasse queria estar agarrado a ela como aquelas figuras petrificadas de Pompéia em documentário da National Geographic. Hoje o medo é levar choque no chuveiro, ficando morto com o Boris a lamber minha boca, o botijão de gás explodir, e panela de pressão idem. A idéia de ser acusado injustamente e não conseguir uma explicação plausível incomoda. Intriga Internacional é um dos filmes mais apavorantes que já vi. Pro resto, entro na seita da Deusa Caganda e Andanda! Nooooossa, você mora soziiiinho? Não tem medo? Com ou sem medo, há alternativa se um marciano de duas cabeças entrar por aquela porta armado de uma hiper arma laser? Hun? Sou um dos raros moradores do Brasil que nunca foi assaltado... Já fui ameaçado com uma barra de ferro, mas o cara visivelmente drogado perguntou se eu tinha visto um tal de Marcão e entendi que estava pedindo um barão! Doenças também não me assustam. Descobri que a TV Globo passava clássicos hollywoodianos nas altas madrugadas de domingo pra segunda. Pra faltar à aula na manhã seguinte, enquanto assistia a coisas do tipo Assim Caminha A Humanidade (mais de 4 horas de metragem!!!), chupava gelo e deitava sem camisa no chão gelado. Esta providencial pneumonia jamais deu certo. Deus protege não só os bêbados e as criancinhas, mas os cinéfilos insones também...


[Ouvindo:Femme Fatale – The Velvet Underground & Nico]

segunda-feira, 15 de maio de 2006

Karatê Kid


Lições de vida podem ser aprendidas nos mais despretensiosos produtos da cultura pobre. Digo, pop! Quando sua mãe Joan Crawford subiu no telhado, mega milionária, presidente da Pepsi Cola, e não deixou um centavo que seja para ela, Christina não pensou duas vezes, publicou Mamãezinha Querida. No estrondoso best seller despejou o que pôde sobre o lado mais (extra) ordinário da antiga estrela hollywoodiana. Nem uma possível (e não correspondida) paixão pela rival Bette Davis poupou. Entre muitos outros venenos, o livro só ajudou a confirmar a fama de rainha do vale-tudo que a atriz de Johnny Guitar sempre teve. É inesquecível, além da surra com cabides de arame (!!!), a inveja cáustica que sentia por Katharine Hepburn, não só pelo fato de a colega ter levado o maior número de Oscars até então, mas por seu estilo descolado de fazer filmes. Todo set de filmagem de Hepburn na Metro era uma diversão, e todos os técnicos faziam o máximo esforço para trabalharem ali. Havia vezes em que pedia para parar as filmagens, estendia uma toalha, no meio do cenário mesmo, e convidava a todos para um picnic. Nem por isso deixou de ser reverenciada por platéias do mundo todo como uma das melhores atrizes de todos os tempos. Quem trabalha comigo sabe que jamais irei fazer um picnic no meio da sala de aula, mas darei o máximo para que aquelas horas longe de casa sejam compensadoras de alguma forma para todos. Se a matéria tá um saco, pode deixar que serei o primeiro a dar uma bocejada e sugerir pra todos darmos um pulinho na Internet, tomar um cafezinho ou colocar o xixi em dia, que ninguém é de ferro. Isso tudo cumprindo rigorosamente minhas obrigações. Não tolero absolutamente atrasos, telefones celulares, faltas injustificadas ou qualquer outra ausência de civilidade. Em troca, uma tigelinha de ração, outra de água exatamente como o combinado. Como isso às vezes é vergonhosamente descumprido, estou prestes a engordar a lista dos desempregados deste país... Amanhã é outro dia!


[Ouvindo: Pierrot – Marina Lima]

quinta-feira, 11 de maio de 2006

Zelig

Meu cérebro é uma esponja de coisas ruins. De bordões dos programas humorísticos chulos ao mais sórdido do pop nacional. Tudo fica. Passa um carro com o novo funk carioca a todo volume e pode ter certeza que me ouvirá cantarolar o ilustre refrão o resto do dia. Há frases de campanhas políticas de outras épocas ainda vivíssimas na minha cabeça, e até aqueles trocadilhos infames como “Quem senta e cheira vota no Gabeira!”. Do que me adianta lembrar que Maria de Fátima passou a mão leve em exatamente 800 mil dólares da pobre mãe em Vale Tudo? Mas não faço idéia do número do meu celular, nem que rua está a escola onde trabalho! Lembro nome e sobrenome daquela ex quase atriz que estava em um papel ridiculamente secundário numa obscura telenovela dos 90’s. Deve ser genética porque minha mãe alimenta uma raiva do cão pela Neuza Borges, a malvadona de Dancing Days nos idos de mil novecentos e lá vai fusquinho... É quase impossível decorar letra de música. Exceto as sertanejas! E da época da febre! Os hits da lambada idem. Como pra tudo sempre há uma vantagem, o único jogo em que jamais perdi é o Stop, também conhecido como Nomes, Flores, Frutos. Lembra? Os jogadores sorteiam nos dedos uma letra e precisam escrever com ela coisas do tipo nome, cep (cidade, estado ou país!!!), marca de cigarro, filme, novela, etc. O primeiro que preencher toda a folha grita: STOP! Até porque, posso inventar o nome do filme, cantor ou novela que quiser que ninguém na roda será doido de discordar da veracidade...

[Ouvindo: Born Slippy/ Right Here, Right Now – FatBoy Slim]

segunda-feira, 8 de maio de 2006

O Pássaro Azul


Assim, do dia pra noite, meu e-mail foi abarrotado de mensagens preocupadíssimas com o fato de que o Orkut passará a ser pago. Wow! Foi confirmado pela TV Globo! Logo depois muitas outras com espertinhos repassando desmentidos. Mas quem se importa? Me espantei com a absurda capacidade das pessoas acreditarem em qualquer coisa, por mais idiota e fútil que seja. E o mico de repassar a dezenas de outras sua absoluta ignorância? Se pago, o Orkut nos trará o transtorno de ter aqueles milhares de intelectuais zanzando por outras partes do cyber space. Quiçá por aqui... Toc toc toc!!! “oi axei seo blogger xuper meiguxo! Paça lá nu meu tambeim” ou o famigerado “Bom fim de semana”... Encontrei uma comunidade, dia destes, realmente relevante: “Onde Estão os Tatu-Bola?” Há quanto tempo você não vê um daqueles minúsculos seres que ao serem tocados se transformam em pequenas bolinhas cinzas? Sempre tentava fazer uma criação de tatu-bola mas no dia seguinte estavam todos espichados, sequinhos da silva. O Houaiss me disse que são típicos de algumas regiões da América latina, no Brasil ao leste e centro. Mas não devemos estar falando da mesma criatura já que o que ele indica como sendo um tatu-bola (Tolypeutes tricintus) possui cinco dedos em cada pata e é mamífero. A tia Encarta pra variar está muda quanto ao assunto! Creio que são totoros, aquelas criaturas mágicas muito mais visíveis quando a gente é criança. Já até contei aqui quando vi um do tipo branco leitoso. Estava tão yonki que não consegui abrir a boca aos que estavam ao meu lado para verem também. Totoros são muito espertos, não se mostram à toa para adultos em estado psíquico normalizado. Na comunidade do Orkut há uma pequena foto do tatu-bola, mas não sou estúpido o suficiente pra acreditar em qualquer coisa que venha dali.


[Ouvindo: Toxic - Britney Spears]

quinta-feira, 4 de maio de 2006

A Flor do Meu Segredo

Se um país se faz com homens e livros vou ficar devendo no último quesito... Quem me dera possuir a mesma disposição para ler livros que tenho para ver filmes. Mas vou adquirindo um ou outro para quem sabe um dia o devora-lo achando um verdadeiro tesouro escondido em minhas quinquilharias. Enquanto esse dia não vem, estão se amontoando aqui e ali, á espera da boa vontade do dono para arrumar-lhes em uma gigantesca estante. Costumo comprar nem só pela relevância do conteúdo, mas também pela arte da capa ou exotismo no caso das pechinchas em sebos. E dava pra resistir a um episódio romanceado de Charlie’s Angels onde Kelly, Jill e Sabrina são injustamente presas por policiais corruptos cheios de segundas intenções? E a verdadeira auto-ajuda de 1962 chamada “Faça Você Mesma o Seu Penteado Moderno”? Wow!!! É ricamente ilustrado! Já me apaixonei por um tipo provavelmente porque lia confortavelmente cinco livros ao mesmo tempo e em diversas línguas. Fedia de tão podre de chique. Tentei fazer igual mês passado: Asfalto Selvagem, Núpcias de Fogo, Elizabeth Taylor - Uma Paixão Pela Vida e Treinamento Prático em Action Script. Cheguei a ponto de pensar que a Engraçadinha estava dando um gotoAndPlay na Cleópatra. Devo ter outros predicados...

[Ouvindo: Contact - Brigitte Bardot]

terça-feira, 2 de maio de 2006

A Estranha Passageira

Todo filme de bandido que se preste onde eles preferem se esconder? Rio de Janeiro! Perguntei outro dia a um amigo que de Madri como ele imagina o Brasil: “Como en las películas de Hitchcock, Bossa Nova, Lucélia Santos, Xuxa, Pelé...” Quem me dera que houvesse uma retroprojeção do Corcovado no nosso dia-a-dia! Para gringo o país é um imenso Rio de Janeiro de mentirinha. Ainda! E cansei de escrever que minha língua não é espanhol ou brasilês. Mais difícil é explicar o que é rebolado depois de apresentar “Gretchen, La Reina Del Rebolado”. Sim, sim! To aculturando esse povo pro caso de quererem fazer turismo. Ele me mostrou Miguel Bosé, eu o Fábio Junior. Deve ser quase a mesma coisa. Trash por trash… Fora isso o Brasil é legal. A terra onde seu povo se acostuma com tudo. Talvez no Haiti as janelas das casas também tenham grade, as pessoas morem em barracos mas possuem carro quase do ano, TV na sala mas pedem pra vizinha guardar seu leite pra não azedar. Celular com tecnologia de ponta no bolso, mas poucos dentes na boca. Escolhemos sempre um governo incompetente que alivie nossa culpa de se dar bem a todo custo. Somos roubados e enganados praticamente a cada compra (seja do que for) e gritamos que americano é que gosta de explorar brasileiro. Em contrapartida imitamos o Jazz deles na cara dura, demos o nome de Bossa Nova e ainda somos reconhecidos internacionalmente pela “criação”. Orgulhosamente é um dos poucos países onde seus portadores de HIV recebem tratamento gratuito. Temos atores e cineastas geniais e músicos do quilate de um Chico Buarque ainda na ativa. Mas alguém no Brasil sabe disso?

[Ouvindo: I Try - Macy Gray]
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