domingo, 26 de setembro de 2004

Conduzindo Miss Dayse


Já disse o profeta dos bits: "Sua mulher quer dirigir? Compre uma enceradeira para ela!!!" Que o profeta nunca entendeu muito de mulher não se é de estranhar. Vindo de um eremita do mundo cheio de uns e zeros nem se deve exclamar de possíveis incorreções políticas, mas uma dessas criaturas motorizadas tem me irritado infinitamente. Nos capítulos anteriores tomamos conhecimento de que este doce escriba agora depende de buzão para ir à labuta. Motorista é aquele ser que fica sentado o dia todo dando voltas pelo mesmo lugar em um calor espartano e muitas vezes não perde o humor. Com que sonhariam os motoristas? Outro dia, ao abrir-se a porta, dou de cara com uma figura seríssima de (wow) sunglasses cyber, cabelo tigelinha, e inacreditáveis luvinhas de motoqueiro, talvez para não ressecar as delicadas mãos que seguram aquele volante por horas. Como, benzadeus, peguei pouquíssimos coletivos na vida, nunca tinha visto uma mulé no volante profissionalmente. Depois de risadinhas internas (of course), apenas pelo ineditismo, me senti uma pessoa muderrrrrrrna e gostei. Achei graça do quanto ela andava devagar, cautelosa nas curvas, e putz, preciso aprender a dirigir nesta vida! No segundo dia me irritei com essa mesma cautela excessiva, e nos dias consecutivos mais ainda. Dou uma semana para eu ligar à companhia reclamando da mosca morta! A infeliz passa sobre TODAS as lombadas que encontra pela frente sem nenhuma sutileza. Não é difícil termos que nos levantar para aparar velhinhos que estavam em pé, esperando para descer e quase se esborracham. Quando isto acontece, a dita pára o ônibus com uma finesse tipo Tonhão e pede para eles aguardarem o veículo estacionar sentados. Quando um senhor começou a bravejar sobre a (falta de) competência da fulana, outra passageira imediatamente berrou: "Ce tá reclamando porque ela é mulher! Vai lá e faz melhor!!!" As vezes pertencer a uma minoria tem lá as suas vantagens. Humpf! Como é a única profissional na área que conheci até agora, não posso aqui medir parâmetros, ou tascar um post chauvinista. A coitada é medíocre mesmo! Ao contrário de coletivos, posso, sem medo alegar que elas não nasceram para dirigir filmes! Fora o lampejo chamado "Carlota Joaquina", me indique uma película que seja digna de nota e te dou uma maria mole cor de rosa de presente! As periquitas que me perdoem, mas escrever novela também não me parece ser o forte deste sexo. E Glória Perez tá aí para não me deixar mentir... Em compensação, interpretar é coisa delas. Há atrizes mil vezes melhores que atores. É a profissão feminina por natureza. A sensibilidade aguçada faz com que listemos em poucos segundos 10 atrizes estupendas, já com eles esta mesma lista dá um pouco mais de trabalho. A canastrice é cara ao sexo masculino. Claro que há exceções, mas uma coisa é preconceito, outra é constatação. Independente do que se carrega entre as pernas. Ou não, né?!


[Ouvindo: Suck My Kiss - Red Hot Chili Peppers]

sábado, 4 de setembro de 2004

Gatinhas e Gatões

E tive uma amiga com mãe sábia. Velha senhora católica, ouvia as maiores barbaridades que a filha havia feito na noite anterior com seus muitos coleguinhas em festas particulares. Só ouvia. Eram historinhas regadas a vinho e todo o hype vindo de Londres, devidamente filtradas pela fome de modernidade, típica do início da década de 90. Ficava calada ou falava o mínimo, talvez por gostar da confiança que a filha sempre depositou nela. "Mas até o Miguel? Como tá esse mundo!!!" Bem diferente da maioria que freqüenta tal religião, evitou qualquer julgamento a quem quer que fosse, muito menos à sua menina primogênita, que adorava nesses encontros berrar com um drink na mão:"À luxúria!". Jamais deixou de saber de tudo. Quando tinha oportunidade, tascava um nada bíblico "A língua é o chicotinho da bunda" e ponto. Muitos e muitos anos depois, esse ditado continua ecoando nos ouvidos deste escriba. De preferência quando preciso rever um dos meus conceitos. Claro que não sou como ela. E lá resisto a falar em alto e bom som o que acho disto ou daquilo? Como até os aborígenes já devem saber, né? Parece que toda a minha falta de apreço pela adolescência, nunca escondida de ninguém, está por um triz! Sempre achei uma estupidez que pessoas vindas ao mundo nos anos 80 levantessem a voz para mim. Simplesmente as evitava. Já ouvi e vi tudo o que elas poderiam me falar ou mostrar em melhor quantidade ou qualidade... Nem por esnobismo, mas por impaciência. Hoje sou praticamente obrigado a conviver na maioria com pessoas que nasceram até na de 90! E nem está sendo tão ruim assim. Como sou meio (!!!) distraído, notei que quase todo mundo à minha volta tinha bolinhas na cara... Acnase nelas! Recebi um convite para uma "balada" onde o mais velho deve ter perdido sua primeira dentição recentemente! Jogou o dentinho pra fada ontem! Assim como os de antes, acham que são os primeiros a tentar comprar Coca com o casco de Pepsi! Aliás, nem fazem idéia do que seja casco. Fico na minha, observando, não é sempre que há a oportunidade de se voltar a fases de nossas vidas em que não nos demos muito bem. Uma espécie de De Repente 30 às avessas. Estranho que, mesmo com a internet gritando e toda a oportunidade de se conhecer coisas musicais novas e boas, o som deles continue sendo aquela bobagem de ontem com guitarrinhas sujas escondendo o pouco talento. A falta de preguiça também continua não sendo um dos predicados dessa idade. Vinde a mim as criancinhas...

[Ouvindo: Yoko Kanno - Chicken Bone]

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