quarta-feira, 28 de janeiro de 2004

Até as Vaqueiras Ficam Tristes

Vícios vão assim como chegam! Não, não senhor, nem tô me referindo ao indefectível cigarrinho, cujo já postei que estava parando e necas de piti biriba!!! Mas parei completamente de roer as unhas... Assim, por alto, mantive esse "higiênico" hábito por cerca de 23 anos, e jamais me imaginei vivendo sem ele. E dá-lhe avó, irmãs, amigos, etc e tal reclamando, se assustando com minhas cutículas em carne viva. Pô, e agora ninguém nota a mudança? Peguei gosto pela coisa quando minha mãe as cortava. As primeiras, no ano de 1976, devem ter sido guardadas dentro de um livro. Fez isso com todos os filhos e netos, na esperança de que o pimpolho tomasse gosto pela literatura quando crescesse. Sei lá qual o fundamento científico disto, mas enfim... Mas também não recomendava cortar unhas de noite para não atrair as bruxas, e guarda-chuva aberto dentro de casa atraía desgraça. Mesmo não botando fé nisso, ainda sigo essas regras, mais por costume do que por qualquer outra coisa. Nem carrego cachorro no colo em dias de trovoada, e de preferência nessas horas corro pra cama e fico no escuro beeeeeem quietinho. Voltando às unhas, nem me passa pela cabeça fazer a cutícula, agora que as possuo intactas. Se há coisa cafona nesse mundão de Deus é homem de unhas feitas e pior ainda, esmaltadas... Comecei a devorá-las exatamente porque minha progenitora as conferia periodicamente. O problema é que sempre as aparava demais, meus dedos doíam por dias com uma sensibilidade irritante. Para acabar com o sofrimento descobri a maravilha que era se fossem roídas. Cheguei a devorá-las quase que completamente em alguns dedos, o que acabava não dando crédito aos motivos originais. Como doíam! Desencanei disso assim como com outros vícios até perigosos e ilegais. Sem remédio, simpatia, rezas bravas ou coisas do gênero. Apenas encheu o saco! De brinde ganhei mais um dilema. Não faço a mínima idéia de como usar um trim, tesourinha, ou lixa (qualquer coisa. Tenho tentado tudo!) na mão direita. Passei obsessivamente a observar mãos direitas de qualquer pessoa: "Oh, ele consegue!". Até posso ter muitos predicados, mas certamente entre eles não está a destreza (!!!) de conservar unhas bonitas.

[Ouvindo: Mondo '77 - Looper ]

quinta-feira, 22 de janeiro de 2004

Neblina e Sombras

O motivo para eu amar ou odiar uma pessoa quase sempre (leia bem: QUASE!) é por motivos tolos. Esse meu lado maniqueísta sinto que não será abandonado tão fácil. Buñuel passou a nutrir ódio por um colega de quarto após observar que todas as manhãs ele passava horas em frente ao espelho penteando os cabelos e ia trabalhar com os detrás da cabeça todos bagunçados. Em sua biografia "Meu Último Suspiro", o cineasta espanhol dedica um capítulo inteirinho a seus amores e desamores. Quando o li na hora me veio a idéia deste post, mas o Matusalém nem estava por aqui, depois deu com as dez, e até eu ter o Júnior (com o qual poderia postar mais freqüentemente, confesso) acabei me esquecendo disso. Tenho nutrido uma secreta vontade de catarrar bem no meio da testa de pessoas que trabalham em bancas de jornal, sebos ou livrarias e ficam com cara de tédio, bocejando... Por mim todas as aranhas, cobras e animais peçonhentos (exceto as lagartixas, as quais acho meigas) poderiam sumir da face da terra (o que seria péssimo, já que haveria mais mosquitos, os quais também abomino), ou terem áreas restritas de moradia. Pessoas pedindo esmolas, cigarros na rua (justo quando está tão gostoso, depois de ficar tanto tempo sem poder fumar em algum lugar...), dinheiro para instituições de caridade me dá náuseas! Aqui está virando indústria. Ligam para casa, exigem um valor "X" e cobram-no todo santo mês. O caminho mais fácil, mas o que mais enche o saco. Cadê aquelas quermesses pilantras mas incrivelmente deliciosas que arrecadavam fundos a causas humanitárias no passado? Continuo odiando e achando cafona o som de guitarras, amando vilãs de novelas, sentindo um enorme prazer em comprar a revista Set todo mês há mais de 10 anos só pra ver quem está na capa, e xingar pela milionésima vez em que Tom Cruise a ilustra (como a de agora, malditas garotinhas teenagers!!!), e o conteúdo cada vez mais babaca. E sempre prometo: Se não melhorar, no mês que vem eu paro! Aliás, odeio adolescentes e suas pretensões volúveis. Pessoas que se vestem vulgarmente na hora errada, como garotas trajando uma micro saia quando vão disputar uma vaga de emprego. Qual a diferença entre isso e aquelas moçoilas que ficam na esquina a noite toda? Palmas para essas. Tenho tido cada vez menos paciência para pessoas desocupadas, arrumando sempre problemas para suas vidinhas medíocres, e quando não os acham buscam na gente. Odeio auto-intitulados coitados, amo os que se assumem de qualquer forma que seja. Lastimo piamente os que se escondem em religiões a fim de ocultar seus pecados ao invés de tentar não os ter ou tentar viver melhor com eles. Cada vez menos amo os que dizem odiar gatos, e que por isso nunca tiveram algum. Como se pode odiar o que não se conhece?

[Ouvindo: La em Copacabana - Towa Tei e Bebel Gilberto ]

sábado, 17 de janeiro de 2004

A Fortuna de Ned


E Ontem tive uma alegria daquelas beeeeem provincianas, mas fazer o quê? Descobri que o site que fiz para Tim Burton, "Tim Burton, O Mestre do Pesadelo Pop" foi linkado no Internet Movie Data Base!!!!! Sim, sim, naquele site poderoso, referência a todos os que gostam de cinema no planeta! Assim, quando alguém quiser buscar informações em português sobre Batman, Ed Wood, Marte Ataca! entre tantos outros, e for no IMDB, vai acabar acessando aquele especial de CQ? após ter ralado dias sem achar grande coisa por aí. O que fiz sobre Garotos de Programa (My Own Private Idaho) também está lá, para quem quiser pesquisar sobre, por exemplo, a carreira de Keanu Reeves. Bacana, só que Tim Burton, é Tim Burton! Uma das pessoas (junto com Woody Allen Chico Buarque, e talvez Almodovar) a qual me ajoelharia se os visse pessoalmente. Caraca, um dos gênios vivos em Hollywood, e eu colaborando em um espaço como o IMDB. Burton, mesmo naquela máquina de aniquilar talentos, que sempre foi o cinemão americano, consegue imprimir sua marca e refletir sobre esse mundo de aparências em que vivemos sem ser óbvio, sem ser maniqueista, sem ser chato. É pouco? Gozado foi ver o nome do site traduzido pelos ingleses como Tim Burton, The Master of Nightmare Pop! E havia pensado em postar sobre a possibilidade de eu trabalhar de gravata em momento Calma Cocada, etc, divagar sobre os motivos de se carregar esse símbolo fálico no pescoço na frente de todo mundo e ainda acharem ser sinal de respeito, mas descobrir o link me deixou feliz e queria dividir isso. Fiz mal?



[Ouvindo: Its My Life - No Doubt ]

sábado, 10 de janeiro de 2004

Delicatessen

Não faz muito tempo aprendi uma coisa lendo um livro. E nem era livro de auto-ajuda não! "Pobre só se fode" diz a certa altura o fotógrafo Morel em O Caso Morel de Ruben Fonseca. Ele relembrando o tempo em que tirava retratos de formandos e na saída do evento apresentava seu trabalho aos pais. A princípio eles ficavam felizes achando que seria de graça, e depois se assustavam com o valor das imagens para a posteridade. Na maioria das vezes só os mais humildes compravam, com vergonha de dizerem que era um valor alto para suas posses. Pobre só se fode! E não é que hoje á tarde fui lindo louro e japonês comprar umas coisinhas pro lanche e ouvi essa frase ressoar forte em meus ouvidos. Pedi 200 gramas de mussarela. A mocinha pegou um monte de folhas colocou na balança, embalou e boa! Não disse nem uma nem duas. Quando estava indo já em direção ao caixa olhei o adesivo por mera curiosidade e lá estava 250 gramas... "Vou lá reclamar", um amigo que me acompanhava na hora se colocou contra, afinal, "Pra que arrumar encrenca por tão pouco". E nem confiança pra ele, voltei gentilmente e pedi para retirar o que não pedi. Era justo uma atendente que já havia me estressado porque ela sempre se recusa a fatiar a mussarela na hora, tentando me impingir a que está já a não sei quanto tempo no refrigerador. Na minha guliver, se pago o que eles querem, nada mais justo que eles vendam o que eu quero. Nem é por culpa de míseros centavos, nem nada, se bem que sem uns míseros centavos certamente não me deixariam sair sem coisa alguma do supermercado, né? Mas porque não estava certo, nem justo, e se continuarmos a deixar para os outros fazerem as coisas certas, ou justas, "pobre continuará se fudendo". Depois, no caminho pra casa ainda ouvi que "tua ética é tão grande que me dá nojo!". C'est la vie!!!

[Ouvindo: Björk - Army Of Me ]

quarta-feira, 7 de janeiro de 2004

A Dança dos Vampiros

Há coisas tão podres, mas tão podres, como a música que estou ouvindo neste momento, que já nos causaram tanta repulsa, tantos discursos inflamados sobre o bom gosto, que vistos depois de muito tempo tornam-se uma graça! Reflexos de toda uma era... Ontem revi Entrevista com o Vampiro, a bomba que se originou do romance que Anne Rice publicou em 1976. Quando fui vê-lo a primeira vez tinha acabado de ler o livro, com os personagens que minha mente formou ainda (literalmente) frescos. Esperava tanto, e me foi mostrado um engodo com os maiores "astros-de-menininha" da época vivendo dois travestis com caninos protuberantes. Meu Deus, o que eram aqueles apliques medonhos? O que fizeram com o Armand? Um personagem impoprtantíssimo e muy sexy relegado a uma mísera ponta, no primeiro papel norte americano de Banderas. Quase saí aos berros do cinema! Um absurdo! E ainda teve aquela patética música que a Claudia Ohana interpretou inúmeras vezes melhor do que os babacas do Guns in Roses! Quase 10 anos depois e muito tempo depois de ter lido o livro, sabe que nem achei tão ruim assim? Ok, Cruise continua com aquele pirucón loiro risível, os figurinos continuam carnavalescos até o osso, e a história truncada e pasteurizada como bem cabe às produções hollywoodianas. Bem que poderíamos ter um Lestat melhor, mas tudo bem, é só mais um filminho enquanto o sono não vem...


[Ouvindo: All That She Wants - Ace of Base ]

domingo, 4 de janeiro de 2004

Crepúsculo do Deuses

Se há alguma morte que merece ser comemorada é a do VHS! E olha que quem diz isso é um colecionador, com centenas e centenas de fitas. Caraca, fui rever copião do Come Bolacha, Graziela!, vídeo dirigido e co-roteirizado por este que vos escreve e levei uma fisgada no coração. A coitada está em vias de se deteriorar com bolor!!! Deu pra ver toda a alegria pós adolescente contida ali ainda bem e de cores bem vivas, como só o tosco sistema inventado pela JVC em 1978 permitia, mas a fita magética em si... Ai ai ai! Ainda bem que qualquer quarenta reais converte isso tudo para DVD! Gozado como do Vinil para o CD fui, e até ainda sou, reticente (Hummmmm, o cheirinho das capas dos bolachões!!!), mas para o DVD estou de braços abertos! E embora nunca figurará (por motivos óbvios) na lista dos 100 Melhores do Mundo, quero muito guardar Come Bolacha, Graziela! para a posteridade. Apareço nele com uma absurda barba cheia de falhas, disfaçada com cajal e magriiiiiiiiiiinho, cheio das gírias modernas de ontem... Técnicamente é bem tosco, com iluminação tipo Chaves, mas agora, passados quase 7 anos, e sabendo que faria tudo bem melhor, com outra cabeça, outros conhecimentos até que gosto como produto de teste. Ah, e como a tecnologia mudou em tão pouco tempo! Hoje daria pra fazer algo muito mais sofisticado com menos recursos financeiros, e beeeeem longe do mofo.

[Ouvindo: walk this land (edit) - E-Z ROLLERS ]
Related Posts with Thumbnails